A Comissão de Transporte e Mobilidade Urbana (CTMU) da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) realizou, nesta sexta-feira (29), uma vistoria técnica no pátio de manutenção do Metrô-DF, em Águas Claras, região administrativa do DF. A fiscalização, motivada por denúncias de insegurança e precariedade, revelou um cenário de abandono que ameaça a continuidade do serviço para 140 mil usuários diários.
Liderada pelo deputado distrital e presidente da CTMU, Max Maciel (Psol-DF), a visita constatou que o sistema opera atualmente com uma frota reduzida. De acordo com o parlamentar, embora a companhia possua 32 trens, apenas 19 estão circulando nos horários de pico e existem registros de dias em que somente 12 composições estavam em operação.
“Desses 19 rodando, você tem seis que estão parados, mas que é possível manutenção e quatro que não têm mais jeito. Quatro inclusive que estão sofrendo canibalismo, que é você tirar peças de reposição desses para colocar nos que estão rodando por falta de peças sobressalentes nas séries 1000 e 2000”, afirmou o parlamentar.
A crise é agravada pela falta de investimentos. Segundo a comissão, o Metrô-DF deixou de receber cerca de R$ 1 bilhão nos últimos sete anos, comprometendo a modernização da frota e a manutenção do sistema. O parlamentar destacou que a ausência de peças e de planejamento transformou a operação em um desafio diário para os trabalhadores.

Além do material rodante, a infraestrutura energética também foi apontada como um dos principais problemas. Mesmo com a possível chegada de novos trens, a rede atual suporta apenas 24 composições circulando simultaneamente.
“Hoje a energia do metrô só comporta 24 carros em linha. Se a gente trouxer mais 15, vou ter que tirar uma leva de trens para manutenção. Porque se eu colocar 32 carros em linha, que seria o ideal para ter um tempo de três a quatro minutos, nós não temos energia para suportar e precisamos de uma central de R$ 600 mil”, explicou.
Segurança
A segurança de passageiros e trabalhadores também foi considerada crítica pela comissão. Durante a vistoria, foram identificadas falhas na quantidade de profissionais nas estações e déficit de agentes de segurança, dificultando o atendimento em casos de emergência, assédio e auxílio a pessoas com mobilidade reduzida.
Episódios recentes, como o caso do passageiro arrastado após ficar preso na porta de um trem, foram citados como reflexo da precarização do sistema.
Para Max Maciel, o comprometimento dos metroviários tem evitado uma paralisação ainda mais grave da operação. “Hoje, infelizmente, o nosso diagnóstico é que o Metrô-DF está a um passo do colapso se nada for feito. Você coloca em risco a segurança dos usuários e dos metroviários. Se você não tem pessoal para auxiliar, você pode gerar um pânico e ter pessoas caindo na via ou sendo arrastadas em portas”, declarou.
Sobre os projetos de expansão para Ceilândia e Samambaia, o deputado criticou a falta de compatibilidade entre as promessas do governo e a capacidade atual do sistema. Segundo ele, recursos previstos para ampliação das linhas precisaram ser redirecionados para cobrir despesas emergenciais de manutenção.
“Não adianta ampliar novas estações se a gente não contratar novos metroviários, não trazer novos trens e não modernizar o que existe. A expansão é necessária e urgente, mas fazer isso sem investimento só vai ampliar as demandas dentro de um sistema que já está deficitário e operando no limite”, concluiu.
O outro lado

Procurado pelo Brasil de Fato DF, o Metrô-DF informou que possui 22 trens em condições operacionais, mas que esse número oscila devido a manutenções preventivas e corretivas. A companhia detalhou que 10 trens estão imobilizados, sendo dois para revisão de rodeiros e outros por “sinistros antigos” e “eventos de força maior”.
A empresa justificou a redução da frota pela obsolescência da Série 1000, que completou 30 anos, e pela dificuldade global na aquisição de peças de exclusividade tecnológica do fabricante. Segundo a nota, o Metrô-DF aplica o conceito de Fail-Safe (Falha-Segura), impedindo a circulação de qualquer trem que apresente desgaste em componentes eletrônicos.
A companhia afirmou que existem estudos para a compra de 15 novos trens, embora ainda não haja prazo para a abertura da licitação. A CTMU, por sua vez, deve apresentar um relatório detalhado nos próximos dias cobrando o aporte financeiro imediato para evitar a paralisia do modal.
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