Alerta

São Paulo investiga suspeita de ebola

Homem de 37 anos está isolado no Emílio Ribas; organizações alertam para falta de recursos contra o surto no Congo

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Profissional da saúde mede temperatura de cidadão na República Democrática do Congo, que vive surto da doença
Profissional da saúde mede temperatura de cidadão na República Democrática do Congo, que vive surto da doença | Crédito: Glody Murhabazi / AFP

A Secretaria de Saúde de São Paulo está investigando um caso suspeito de ebola na capital paulista. 

Um paciente de 37 anos retornou há cerca de dez dias da República Democrática do Congo (RDC), país que enfrenta um grave surto da doença, declarado oficialmente em 15 de maio.

O período em que o homem esteve na África ainda se enquadra no tempo normal de incubação do vírus.

Após apresentar sintomas compatíveis com a doença, ele foi internado e, atualmente, está em isolamento no Instituto de Infectologia Emílio Ribas.

Amostras laboratoriais estão em análise pelo Instituto Adolfo Lutz, encarregado por investigar os exames do paciente. O material também será submetido à checagem de outras infecções com sintomas semelhantes.

Apesar do alerta, as autoridades em saúde ressaltam que o risco de introdução e disseminação do ebola no Brasil ainda é muito baixo. 

Além da ausência histórica de transmissão local da doença na América do Sul, a República Democrática do Congo não tem voos diretos para o Brasil, o que diminui a chance de propagação interna.

Ajuda insuficiente

Enquanto o Brasil monitora o caso isolado, organizações humanitárias e de saúde advertem que a resposta internacional ao surto na RDC não basta para conter o avanço do vírus. 

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças da África denunciou que parceiros globais reduziram drasticamente as promessas de apoio financeiro, de US$ 500 milhões para US$ 290 milhões. 

Com mais de mil casos suspeitos e quase 250 óbitos, a República Democrática do Congo recebeu o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom na última semana. 

Ele esteve na província de Ituri, epicentro do surto, e destacou a gravidade da epidemia. Hospitais da região congolesa conseguem suprir apenas cerca de 30% da demanda local.

Vacina

Um dos principais desafios do surto atual é a cepa Bundibugyo do ebola.

A candidata a imunizante mais promissora é a rVSV Bundibugyo, desenvolvida para ser aplicada em dose única. No entanto, estima-se que testes clínicos levarão de sete a nove meses para começar. 

Outra opção é a vacina ChAdOx1 Bundibugyo, pesquisada pela Universidade de Oxford e pelo Serum Institute of India. Há previsão de que ela esteja disponível para testes em até três meses. 

O ebola é uma síndrome febril hemorrágica extremamente letal, que pode atingir taxa de mortalidade de até 90%. O período de incubação do vírus é silencioso e pode durar de 2 a 21 dias.

Na fase sintomática, a doença causa quadro agudo de febre, dor de cabeça, fraqueza, diarreia grave, vômitos e até mesmo sangramentos internos e externos por deficiência na coagulação. 

O vírus é transmitido de uma pessoa para outra pelo contato com mucosas e ferimentos com sangue, além de secreções corporais (urina, fezes, saliva e sêmen) e tecidos de pessoas infectadas. 

O vírus não é transmitido durante o período de incubação e o contágio só acontece a partir dos sintomas. 

Terapias como reposição de hidratação e fluidos, correção de distúrbios de oxigênio e estabilização da pressão arterial são essenciais para controlar as consequências da doença e aumentar as chances de sobrevivência de pacientes. 

A prevenção é feita com higiene constante das mãos, restrição de viagens a locais com focos ativos da doença e isolamento total de contato com indivíduos infectados, inclusive dos restos mortais de vítimas fatais. Profissionais da saúde devem atuar com equipamentos de segurança.

Editado por: Raquel Setz

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