Em Pequim, entre 31 de maio e 2 de junho de 2026, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, realiza uma agenda de três dias de reuniões com autoridades chinesas no âmbito da quinta edição do Diálogo Estratégico Global entre os dois países. A programação inclui encontros de alto nível no Grande Salão do Povo e no Complexo de Diaoyutai, dois dos principais espaços da diplomacia chinesa, marcando mais uma etapa da coordenação política entre Brasília e Pequim.
A visita ocorre em um momento de consolidação da parceria sino-brasileira como um dos principais eixos de articulação do Sul Global, com o Brasil mantendo a China como seu principal parceiro comercial há mais de uma década e um intercâmbio que ultrapassa US$ 150 bilhões anuais. As conversas abordam a coordenação política entre os dois países, a ampliação do comércio bilateral, o fortalecimento do multilateralismo e o papel conjunto na defesa de reformas na governança global, incluindo debates em fóruns como a Organização das Nações Unidas (ONU), os Brics e a Organização Mundial do Comércio (OMC).
O ponto central da agenda é o Diálogo Estratégico Global entre as chancelarias, copresidido por Mauro Vieira e seu par na China, Wang Yi, além de reuniões bilaterais com o vice-presidente chinês Han Zheng e com o ministro do Comércio Wang Wentao, consolidando uma rodada de diálogo político de alto nível em meio à reconfiguração das relações internacionais.
‘China e Brasil têm responsabilidade no Sul Global’
No Complexo de Diaoyutai, em Pequim, Mauro Vieira e Wang Yi co-presidiram a quinta edição do Diálogo Estratégico Global entre Brasil e China, principal compromisso da agenda bilateral durante a visita do chanceler brasileiro ao país.
Wang Yi afirmou que “a cooperação entre China e Brasil tem bases sólidas” e destacou que a parceria não se limita ao campo econômico, mas avança também em áreas de tecnologia e inovação, além de uma crescente aproximação entre os povos dos dois países. O chanceler chinês ressaltou ainda que Brasil e China “têm demonstrado responsabilidade na defesa dos interesses do Sul Global e do multilateralismo”, posicionando ambos como atores relevantes na construção de uma ordem internacional mais multipolar.
Wang Yi agradeceu ainda o compromisso brasileiro com o princípio de Uma Só China e defendeu o fortalecimento da coordenação entre os dois países em mecanismos multilaterais como a ONU e os Brics, argumentando que Brasil e China podem contribuir para reformas na governança global e para uma maior participação dos países em desenvolvimento nos processos decisórios internacionais.
O chanceler chinês acrescentou que o diálogo estratégico deve contribuir para aprofundar a coordenação entre os dois países e manter a trajetória positiva das relações bilaterais, reforçando o entendimento comum em torno de temas centrais da agenda internacional.
Wang Yi também destacou a importância de ampliar os intercâmbios em áreas como cultura, educação, turismo, juventude, esportes e comunicação, além dos preparativos para a realização do Ano Cultural China–Brasil em 2026. O chanceler afirmou ainda que Pequim pretende aprofundar sua cooperação com a América Latina e o Caribe, tendo o Brasil como um dos principais parceiros da região.
Do lado brasileiro, Mauro Vieira destacou que a relação bilateral não é episódica, mas parte de um processo contínuo de aprofundamento político. O chanceler afirmou que a cooperação entre os dois países “vem se desenvolvendo de forma significativa nos últimos anos, tornando-se uma parceria estreita e fundamental nas relações internacionais do Brasil”, ressaltando seu caráter estrutural.
Vieira também recuperou a dimensão histórica recente da aproximação ao lembrar sua participação nas visitas de Estado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à China em 2022 e 2023, período que, segundo ele, expressa um alto nível de coordenação política. De acordo com o chanceler, “a regularidade dos contatos entre nossos presidentes, com a realização de três visitas de Estado em três anos, ilustra o mais alto nível de confiança e respeito mútuo entre nossos países”.
O chanceler brasileiro acrescentou ainda que a elevação da relação à Comunidade de Futuro Compartilhado Brasil–China por um mundo mais justo e sustentável insere a parceria em uma agenda de longo prazo, que, segundo ele, “é mais relevante do que nunca em meio às atuais turbulências internacionais”. Vieira reafirmou ainda o compromisso histórico do Brasil com o princípio de Uma Só China e também destacou que Brasil e China compartilham posições em defesa do multilateralismo, do livre comércio e de reformas na governança global que ampliem a participação dos países em desenvolvimento e fortaleçam o papel das Nações Unidas.
Nova fase da cooperação estratégica entre China e Brasil
Antes do encontro entre os chanceleres, Mauro Vieira foi recebido pelo vice-presidente chinês Han Zheng no Grande Salão do Povo, em Pequim, na extremidade oeste da Praça Tiananmen e um dos principais centros do poder político institucional da China, onde funcionam a Assembleia Popular Nacional e encontros oficiais do governo central. No local, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, foi recebido pelo vice-presidente chinês, Han Zheng.
O encontro marcou a abertura oficial da visita e teve como foco o fortalecimento da coordenação política entre os dois governos, em um momento de intensificação do diálogo bilateral e ampliação da cooperação em diferentes áreas.
Han Zheng destacou o momento de aproximação entre Brasil e China e afirmou que a visita contribui para “reforçar a colaboração estratégica nas novas circunstâncias internacionais”, além de promover o desenvolvimento contínuo das relações bilaterais. O dirigente chinês afirmou ainda que a reunião busca “implementar os importantes consensos alcançados pelos chefes de Estado dos dois países”, reforçando o entendimento comum entre Pequim e Brasília.
O vice-presidente chinês também ressaltou que uma das tarefas centrais da visita é a realização da quinta edição do Diálogo Estratégico Global entre os chanceleres dos dois países, afirmando que o encontro deve abrir caminho para “uma nova fase da cooperação estratégica entre China e Brasil”, com manutenção da dinâmica positiva das relações bilaterais.
A reunião ocorre em um contexto de maior articulação entre países do Sul Global e de busca por maior equilíbrio na governança internacional, especialmente em fóruns multilaterais como os Brics, onde Brasil e China atuam de forma coordenada na defesa de reformas na ordem econômica e política global.
Do lado brasileiro, Mauro Vieira afirmou que a relação entre os dois países vem se aprofundando de forma consistente nos últimos anos, com forte densidade política e diplomática. O chanceler destacou que a parceria “vem se desenvolvendo de forma significativa nos últimos anos, tornando-se uma parceria estreita e fundamental nas relações internacionais do Brasil”. Vieira também ressaltou a continuidade do diálogo de alto nível entre as duas lideranças, lembrando sua participação nas visitas de Estado do presidente Lula.
O chanceler acrescentou ainda que a elevação da relação à Comunidade de Futuro Compartilhado Brasil–China por um mundo mais justo e sustentável torna a parceria “mais relevante do que nunca em meio às atuais turbulências internacionais”.
Vieira também reiterou o convite formulado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin para que o vice-presidente chinês visite o Brasil, com a proposta de realização da oitava Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (Cosban), prevista para 2026, reforçando a institucionalização de longo prazo da relação bilateral.
Aprofundamento da agenda econômica e reforma da OMC
Na sequência da agenda em Pequim, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, se reuniu com o ministro do Comércio da China, Wang Wentao, em um encontro voltado ao aprofundamento da agenda econômica bilateral.
As conversas tiveram como eixo central a ampliação e diversificação do comércio entre os dois países, que hoje ultrapassa US$ 160 bilhões anuais, com a China consolidada há mais de uma década como principal parceiro comercial do Brasil.
O fluxo comercial segue fortemente concentrado na exportação brasileira de commodities, como soja, minério de ferro e petróleo, enquanto o Brasil importa majoritariamente produtos manufaturados, máquinas e bens de maior valor agregado, o que mantém uma relação estruturalmente assimétrica.
As duas partes discutiram ainda caminhos para ampliar a diversificação da pauta comercial e aumentar o valor agregado das exportações brasileiras, em um contexto de reconfiguração das cadeias globais de produção e maior disputa por mercados estratégicos.
Outro ponto abordado foi o funcionamento do sistema multilateral de comércio, com destaque para a necessidade de reformas na Organização Mundial do Comércio (OMC), diante das dificuldades enfrentadas pelo sistema de solução de disputas e das tensões crescentes nas regras do comércio internacional.
