Campanha esquentando

Fernando Haddad promete rever privatizações e pedágios de Tarcísio: ‘Vou ter que reler os contratos’

O pré-candidato ao governo vê uma 'névoa' na Sabesp e promete rever o contrato para os pedágios free flow

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O pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad
O pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad. | Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Caso seja eleito, o pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, disse que pretende rever os contratos de privatização do governo Tarcísio de Freitas como os referentes à Sabesp, aos pedágios e às concessões ferroviárias.“Vou ter que reler os contratos do Tarcísio”, diz Haddad em entrevista ao UOL e Folha de S.Paulo.

Haddad disse que paira uma “névoa sobre a privatização da Sabesp”, ao se referir às conexões de executivos da Sabesp com empresas ligadas ao banco Master, e cita o nome de Nelson Tanure, empresário próximo ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

“E para piorar tudo, você tem a promessa dele de que a tarifa de água ia cair, ela não só subiu, como em alguns casos triplicou. Triplicou e o serviço piorou”, disse o pré-candidato. que alertou Tarcísio ainda na campanha anterior sobre o movimento de retomada de companhias de água privatizadas pela Europa.

O ex-ministro de Lula também questionou os diversos acidentes que ocorreram desde a privatização da companhia e lembrou que o apelido de Tarcísio nas redes sociais é “Tragédia de Freitas”. O pré-candidato também sugeriu rever os contratos de pedágios.

“Eu vou rever cláusula abusiva contra o consumidor, eu vou ter que questionar, eu vou ter que reler esses free flow que ele está colocando aí. Imagina, você passa numa estrada, você acha que a estrada não tem pedágio. De repente, tem uma dívida tua no site que você desconhece e, se você não adivinhar que você está devendo aquele pedágio, você paga uma multa por não ter pago o pedágio, por evasão de pedágio”, disse.

Haddad citou ainda as investigações do Tribuna de Contas de União sobre concessões de ferrovias com baixos valores de outorga e poucos compromissos de novos investimentos.

Extrema direita

Durante toda a entrevista, Haddad fez duras criticas a Tarcísio — “Não há nada mais diferente do que eu e Tarcísio” — e destacou que o seu adversário “namora com a extrema direita” .

“Eu acho que ele [Tarcísio] namora a extrema direita. Quando ele apoia o tarifaço do Trump, ele namora a extrema direita. Quando ele ria da piada do Bolsonaro antivacina, ele namorava a extrema direita. Aquela gargalhada que ele deu com a piada sem graça do Bolsonaro”, disse Haddad, lembrando ainda que o governador de São Paulo nunca se manifestou sobre o 8 de janeiro, nem sobre a ditadura militar.

O ex-ministro argumenta que Tarcísio tenta equilibrar-se para não perder os votos do eleitorado radical, sem parecer “tão inescrupuloso quanto eles”.

Sobre a liderança de Tarcísio nas pesquisas eleitorais, Haddad minimiza considerando o dado como momentâneo, argumenta que a eleição ainda não começou e lembra como conseguiu virar o quadro na campanha para prefeito de São Paulo que venceu. “Quando eu me candidatei para prefeito de São Paulo, no começo da campanha, Serra tinha dez vezes mais intenções de voto que eu.”

Segurança Pública

Haddad iniciou e encerrou a entrevista com o tema da segurança pública. O pré-candidato defendeu a PEC formulada pelo governo para o tema, além de maior integração dos órgãos federais e estaduais. Também criticou o que chamou de sabotagem do governador paulista.

“O que faz o Tarcísio? Não só sabota a PEC da Segurança Pública, transfigura o Projeto Antifacção, por meio do seu secretário Derrite e agora, dá apoio ao segundo ataque ao Brasil [do governo Trump]”, disse se referindo da decisão dos Estados Unidos de enquadra o facções criminosas brasileiras como narcoterroristas.

Na entrevista, Haddad detalhou seu projeto para segurança pública, que será focado em três eixos principais: combate às lideranças e ao financiamento do crime, atuação direta nos territórios e crimes cometidos por pessoas próximas às vítimas.

Editado por: Luís Indriunas

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