Estados Unidos e Irã anunciaram, nesta segunda-feira (1º), uma série de ataques recíprocos, o que pode ser considerado um novo revés para o frágil cessar-fogo ainda em vigor na guerra iniciada por Israel e os estadunidenses em fevereiro. As hostilidades ocorrem no momento em que as negociações para tentar acabar com a guerra no Oriente Médio se arrastam.
Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do parlamento iraniano e principal negociador, acusou os EUA de violarem o cessar-fogo, mantendo o bloqueio aos portos iranianos e não conseguindo impedir que seu aliado Israel intensificasse os ataques no Líbano.
A imprensa dos EUA noticiou, no fim de semana, as novas exigências de Washington a Teerã, que esfriaram a expectativa de um acordo iminente alimentada pelo presidente Donald Trump.
Enquanto Israel amplia sua ofensiva no Líbano, o Exército estadunidense anunciou que lançou, no sábado (30) e no domingo (31), uma nova onda de ataques “defensivos” no sul do Irã, a terceira em pouco mais de uma semana.
Os bombardeios atingiram sistemas de radar e de controle de drones na cidade de Gurak e na ilha de Qeshm, no Estreito de Ormuz, informou o Comando Central dos Estados Unidos no Oriente Médio (Centcom).
As operações foram efetuadas “em resposta às ações agressivas do Irã, que destruiu um drone dos EUA MQ-1 que operava em águas internacionais”, acrescentou o Centcom.
“Os Estados Unidos também estão violando o cessar-fogo, inclusive nesta manhã”, declarou, nesta segunda-feira, o porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaeil Baghaei. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, reiterou que o cessar-fogo entre Teerã e Washington é “inequivocamente um cessar-fogo em todas as frentes, inclusive no Líbano”.
“Sua violação em uma frente é uma violação do cessar-fogo em todas as frentes. Os EUA e Israel são responsáveis pelas consequências de qualquer violação”, escreveu Araghchi no X.
Os comentários do diplomata vêm após o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciar que ordenou que suas forças armadas atacassem os subúrbios do sul de Beirute.
Por sua vez, a Guarda Revolucionária do Irã anunciou que atacou uma base utilizada pelas forças estadunidenses para bombardear o território iraniano.
O comunicado do exército ideológico do país, publicado pela imprensa estatal, não cita a localização da base, mas o Exército do Kuwait informou que sua defesa aérea interceptou mísseis e drones “hostis”, atribuindo os ataques ao Irã.
O Ministério das Relações Exteriores kuwaitiano afirmou que “considera o Irã plenamente responsável pelos ataques abjetos”.
Nos últimos dias, os dois países pareciam estar próximos de um acordo, mas o jornal dos EUA New York Times informou no sábado que Trump endureceu a proposta de negociação com o Irã. Segundo o portal estadunidense Axios, Trump, cuja prioridade declarada é acabar com o programa nuclear iraniano e reabrir o Estreito de Ormuz, pediu mais firmeza por parte de seus negociadores.
O canal CBS informou, no domingo, que a nova proposta de Washington prevê uma prorrogação de 60 dias do cessar-fogo, com cláusulas que incluem a reabertura de Ormuz e um cronograma para retomar as negociações nucleares.
Mas, segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, “não aconteceu nenhuma negociação sobre os detalhes do dossiê nuclear. Nesta etapa, nossa prioridade é encerrar a guerra”. O Irã, que reivindica o direito a um programa nuclear civil, nega a tentativa de desenvolver uma arma atômica, apesar das suspeitas dos Estados Unidos e de outros países.
Teerã pretende abordar o tema em uma segunda fase, em caso de um acordo com Washington, e exige a suspensão imediata das sanções impostas contra o país.
Líbano
Donald Trump insistiu, no domingo (31), na plataforma Truth Social, que o projeto de acordo “estipula muito claramente que o Irã não terá uma arma nuclear”.
Mas o Irã insiste que qualquer acordo deve incluir o fim das hostilidades no Líbano, onde Israel quer “eliminar” o movimento pró-iraniano Hezbollah.
“Insistimos que um cessar-fogo no Líbano é uma condição essencial para qualquer acordo destinado a acabar com a guerra”, declarou o porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaeil Baghaei.
O Exército israelense segue avançando no sul do Líbano, onde efetuou novos bombardeios, enquanto o Hezbollah prosseguiu com os ataques contra o norte de Israel, apesar de uma trégua em vigor desde 17 de abril.
O presidente libanês, Joseph Aoun, afirmou, nesta segunda-feira (1º), no X, que seu país enfrenta uma “agressão feroz e condenável” por parte de Israel.
