33 dias de protestos

Conselhos de bairro realizam uma grande reunião municipal na Bolívia para exigir a renúncia de Rodrigo Paz

Líderes ratificaram que as organizações sociais permanecem firmes nos pontos de bloqueio e que não desistirão

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Os setores mobilizados indicaram que as determinações fortes serão assumidas por meio de uma resolução oficial ao final do dia, que marcará o início de novas ações de força. Foto: teleSUR
Os setores mobilizados indicaram que as determinações fortes serão assumidas por meio de uma resolução oficial ao final do dia, que marcará o início de novas ações de força. | Crédito: TeleSur


Moradores de diferentes distritos de El Alto e do departamento de La Paz realizaram um grande comício na ponte La Ceja para participar do chamado “Grande Conselho por uma Bolívia Livre e Soberana”.

A mobilização, convocada pela Federação Departamental dos Conselhos de Bairro de La Paz e Fedjuve, reuniu representantes de bairro, líderes sindicais e organizações sociais com o objetivo de debater a situação política e econômica do país e assumir uma posição firme diante da situação nacional, após mais de cinco semanas de protestos.

Entre as principais demandas da base estão a exigência da renúncia do presidente Rodrigo Paz — que tomou posse há quase sete meses, a libertação de líderes detidos, a anulação de projetos de lei como a chamada Lei Antibloqueio e a rejeição das iniciativas de privatização que o governo busca realizar.

A reunião na ponte La Ceja causou o fechamento total da passagem veicular pelo setor e afetou o acesso ao Aeroporto Internacional de El Alto.

Os manifestantes disseram estar em alerta devido ao descumprimento do Estado e à ameaça do presidente Rodrigo Paz de decretar estado de sítio e recorrer às Forças Armadas para reprimir as manifestações.

A reunião contou com a presença do Secretário-Geral da Central dos Trabalhadores da Bolívia (COB), Mario Argollo, que teve um mandado de prisão anulado pelas autoridades judiciais para facilitar sua presença em um diálogo convocado pelo Executivo nacional, cenário que não se concretizou.

“El Alto sempre esteve à altura da tarefa de defender nossos recursos naturais, nossa democracia, e sempre precisamos ter isso em mente, porque eles são um bastião revolucionário do povo boliviano”, disse Argollo durante sua participação na prefeitura.

No meio do comício, em que foi ouvida a detonação da dinamite, os porta-vozes ratificaram que as organizações sociais permanecem firmes nos pontos de bloqueio e que não baixarão as armas após mais de 30 dias de protestos que mantêm o departamento de La Paz cercado.

Bloqueio de trabalhadores na rodovia 3.
Bloqueio de trabalhadores na rodovia 3. | Crédito: TeleSUR

Os setores mobilizados indicaram que as determinações mais importantes serão assumidas por meio de uma resolução oficial ao final do dia, que marcará o início de novas ações de força.

Apesar do apelo do Executivo ao diálogo, os bairros e as bases sindicais que apoiam as mobilizações, que registraram até 90 bloqueios em sete departamentos no 33º dia de protestos, ratificaram que a principal solução para a crise é a renúncia do governante boliviano.

A maior concentração de bloqueios está localizada no departamento de Cochabamba, especificamente na área rural que conecta a Santa Cruz, seguida pelo departamento de La Paz, onde os protestos estão em vigor há um mês. Essa situação gerou uma grave escassez de alimentos e combustível nas cidades de La Paz e El Alto.

A escassez levou a longas filas nas bombas de combustível, nas quais os motoristas passam de dois a quatro dias inteiros esperando para abastecer a gasolina. Diante da longa espera, as próprias companhias aéreas decidiram realizar bloqueios de rua em ambas as cidades para pressionar o executivo nacional a resolver a crise generalizada.

Ao mesmo tempo, os pontos de concentração nas estradas tornaram-se o eixo central da atenção pública porque as mobilizações no centro da capital boliviana cessaram há três dias úteis.

A tensão social se agrava após a anulação, pela Assembleia Legislativa, controlada por 93% dos direitos, da lei que limita a declaração do estado de emergência. Essa medida deixou o Executivo com luz verde para incorporar as Forças Armadas Nacionais Bolivarianas (FF.AA) na repressão do protesto social diante da resistência da Central dos Trabalhadores da Bolívia (COB) e de outros sindicatos, organizações e movimentos sociais mobilizados.

Editado por: Telesur
Conteúdo originalmente publicado em: TeleSUR

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