TARIFLÁVIO

Paulo Pimenta acusa Flávio Bolsonaro de articular sanções dos EUA e classifica ameaça ao PIX como ataque à soberania

Líder do governo destacou que o sucesso internacional do PIX tornou o sistema brasileiro um alvo de grandes corporações

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O líder do governo Lula na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS), subiu o tom contra a família Bolsonaro
O líder do governo Lula na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS), subiu o tom contra a família Bolsonaro | Crédito: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

O líder do governo Lula na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS), subiu o tom contra a família Bolsonaro, acusando o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de atuar nos Estados Unidos para prejudicar a economia nacional.

Segundo o parlamentar, a recente viagem do senador ao território norte-americano teria servido de prelúdio para uma nova ofensiva do governo de Donald Trump, que inclui a ameaça de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros e pressões diretas contra o sistema PIX.

PIX na mira de interesses estrangeiros

Pimenta destacou que o sucesso internacional do PIX tornou o sistema brasileiro um alvo de grandes corporações financeiras dos EUA. Ele afirmou que as operadoras de cartões de crédito norte-americanas, incomodadas com a perda de mercado, estariam pressionando o governo Trump para exigir o fim do modelo brasileiro de pagamentos instantâneos como condição para evitar retaliações comerciais.

Para o líder governista, essa exigência configura uma tentativa inaceitável de interferência externa na política econômica do país.

Acusações de traição e impacto econômico

Em vídeo publicado em suas redes sociais, o deputado classificou a articulação da oposição como “traição à pátria”. Pimenta argumenta que o objetivo dessas medidas é gerar desemprego e desestabilizar o cenário econômico para influenciar o processo eleitoral brasileiro por meio da influência norte-americana.

Ele relembrou que ações semelhantes no passado, como o “tarifaço” anterior, já haviam penalizado severamente indústrias exportadoras, citando especificamente o setor industrial gaúcho.

Defesa da soberania nacional

Pimenta reforçou que o Brasil não aceitará ser tratado como o “quintal de ninguém” e que a soberania nacional será defendida com rigor. Ao abordar justificativas externas sobre o combate ao crime, o parlamentar foi enfático: “a segurança pública e o combate a organizações criminosas são atribuições exclusivas de instituições brasileiras, como a Polícia Federal e o Ministério Público Federal”.

Segundo ele, qualquer tentativa de usar questões de segurança para justificar ingerência na economia ou na política brasileira é considerada inaceitável pelo governo.

Pimenta encerrou sua manifestação afirmando que o governo Lula mantém um compromisso inabalável com os interesses do Brasil, contrastando essa postura com a de aliados do ex-presidente, a quem chamou de traidores que buscam apoio externo para atacar o próprio país.

EUA propõem tarifa de 25% e miram o PIX

Em uma escalada das tensões bilaterais, o governo dos Estados Unidos, por meio do Escritório do Representante Comercial (USTR), formalizou nesta segunda-feira (1º) a conclusão de uma investigação que propõe a aplicação de uma tarifa de 25% sobre mercadorias brasileiras. A medida, fundamentada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, é apresentada como uma resposta a políticas brasileiras consideradas “irrazoáveis” e prejudiciais aos interesses comerciais norte-americanos.

Um dos pontos centrais do relatório é o sistema de pagamentos instantâneos PIX. O governo Trump acusa o Banco Central do Brasil de exercer um papel duplo “injusto” como regulador e operador, o que resultaria em discriminação contra empresas dos EUA.

Operadoras como Visa e Mastercard estimam perdas de R$ 12 bilhões devido à migração de usuários para o PIX. Enquanto o PIX custa aos lojistas entre 0,22% e 0,33%, os cartões de crédito americanos impõem taxas superiores a 2,2%. Além das operadoras, gigantes como Meta (Apple Pay, Google Pay e WhatsApp Pay) alegam que o PIX centralizou as transações, reduzindo sua margem de lucro e intermediação no mercado brasileiro.

Papel da família Bolsonaro

A ofensiva tarifária ocorre poucos dias após uma agenda estratégica do senador Flávio Bolsonaro, acompanhado de seu irmão Eduardo Bolsonaro e do jornalista Paulo Figueiredo, em Washington.

Durante a visita, o grupo reuniu-se com Donald Trump e com o Secretário de Estado, Marco Rubio, para discutir temas como a classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas e pressionar por sanções contra instituições brasileiras, incluindo o Supremo Tribunal Federal (STF).

O presidente Lula reagiu duramente, classificando os filhos do ex-presidente como “vendilhões da pátria” e acusando-os de conspirar contra os interesses nacionais ao solicitarem intervenção estrangeira.

O governo brasileiro tem até 15 de julho de 2026 para apresentar manifestações formais antes que as medidas corretivas definitivas sejam adotadas pelos Estados Unidos.

Editado por: Katia Marko

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