ARTES NEGRAS

Projeto Afrofuturismos lança livro coletivo com textos de 24 artistas gaúchos sobre ancestralidade e resistência

Obra 'Encruzilhadas' é distribuída gratuitamente nesta quarta na Cinemateca Capitólio em Porto Alegre

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A escritora e bailarina Juliane Vicente idealiza o projeto Afrofuturismos desde a residência artística realizada em 2024
A escritora e bailarina Juliane Vicente idealiza o projeto Afrofuturismos desde a residência artística realizada em 2024 | Crédito: Nando Espinosa

Nesta quarta-feira (3), às 19h, o projeto Afrofuturismos lança o livro “Encruzilhadas” na Cinemateca Capitólio, em Porto Alegre. A obra reúne textos de 24 pessoas, sendo 21 artistas residentes e três organizadores, que passaram por uma residência artística em dança e literatura conduzida pela escritora e bailarina Juliane Vicente. A distribuição é gratuita.

O livro nasce de um processo de escrita criativa que durou meses e mobilizou participantes com trajetórias diversas nas artes cênicas, na dança e na literatura. Cada texto parte de experiências individuais e coletivas para tratar de temas como ancestralidade, afeto, resistência e o que Vicente chama de “potência das artes negras”.

“Encruzilhadas é, ao mesmo tempo, território de escuta e afirmação”, afirma Juliane Vicente. Para ela, o livro convida “o leitor a atravessar caminhos onde corpo e palavra se reconhecem como uma só linguagem”.

24 vozes, uma encruzilhada

Entre os textos que compõem a obra, o da atriz Gloria Andrade é um dos que evidenciam o peso geracional da experiência negra. Ela escreve sobre a chegada de bisnetas e a esperança de que “a caminhada de quem está chegando seja mais leve, serena e cheia de esperança, afetos verdadeiros”. Ao mesmo tempo, reflete sobre o quanto ainda é incompreendida após uma vida de luta: “e assim mesmo deixou tantos exemplos, caminhos abertos”.

Assinam a obra Adrielle Figueiró Freitas, Ag, Andressa Lima, Bruna Ferreira Corrêa, Carla Lopes, Danielle Carvalho, Eloiza Dalila Silveira Oliveira, Erick Flores Pimentel, Esteve Maris de Mello Pereira, Fabi Vicente, Gloria Andrade, Íris Peixoto, Juliane Vicente, Kacau Soares, Katiúscia Beatriz dos Santos Machado, Natália Nunes Magalhães, Raissa Lauana Antunes da Silva, Ranyane Costa Fernandes, Robson Rodrigues dos Santos, Suliê Ramos Lima, Thyago Cunha, Úrsula Ingrid de Souza Faria, Vanessa Cristina Fiuza Silveira e Zaki Liriel Lima da Silva.

Espetáculo vencedor integra a programação da noite

Paralelo ao lançamento, a programação inclui a exibição do espetáculo “Encruzilhadas”, filmado em dezembro de 2024, seguida de bate-papo com Vicente, com o dramaturgo Jessé Oliveira e com o coreógrafo Thyago Cunha. O espetáculo foi vencedor do Prêmio Açorianos de Dança 2025 na categoria Ação em Dança.

A montagem contou com os 21 residentes em cena, muitos deles estreando no palco, ao lado de grupos e artistas convidados: a Cia de Arte La Negra Ana Medeiros, Brazil Estrangeiro, Afro-sul Odomode, Nossas Origens e Perla Sântos. A equipe musical incluiu Baba Derik de Xangô, NegoMano, William Martins, Alagbê Wesley, Alagbê Maikel, Pâmela Amaro, Thas Cardoso e Abyàṣẹ.

Residência como método

A residência artística que originou o livro e o espetáculo foi ministrada por Juliane Vicente – professora, africanista e doutora em Comunicação Social – e por Thyago Cunha, dançarino, coreógrafo, produtor e mestrando em Artes Cênicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

O ponto de partida da residência era, segundo Vicente, a necessidade de “olhar para o passado para entender o que fomos e somos e então desbravar o futuro”. Para ela, o afrofuturismo funciona como “uma grande conversa lúdica entre o passado e o futuro, entre os antepassados e os nossos instrumentos e vozes“. A proposta metodológica se baseava na ideia de que criação artística coletiva pode revelar conexões profundas entre trajetórias distintas: “se você cavar fundo o suficiente, nossas raízes estão todas interconectadas”, diz Vicente.

Financiamento público e apoio institucional

As ações integram o projeto Afrofuturismos, financiado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc por meio do Edital Sedac número 28/2024, vinculado ao Programa Nacional Aldir Blanc no Rio Grande do Sul na linha Cultura e Educação, da Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande do Sul (Sedac/RS). O projeto é viabilizado pelo Sistema Estadual Unificado de Apoio e Fomento às Atividades Culturais, o Pró-cultura RS, com realização do Ministério da Cultura do governo federal. O evento conta ainda com o apoio do MUNTU e da Cinemateca Capitólio.

Serviço

Evento: Lançamento do livro Encruzilhadas, Projeto Afrofuturismos
Data: Quarta-feira (3), às 19h
Local: Cinemateca Capitólio (Rua Demétrio Ribeiro, 1.085, Centro Histórico, Porto Alegre)
Entrada gratuita

Editado por: Katia Marko

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