Pelotas e Porto Alegre (RS) recebem, a partir desta segunda-feira (10) e até o Dia da Consciência Negra, 20 de novembro, a terceira edição da Mostra Cura – Deslocamentos, um festival gratuito que reúne espetáculos, oficinas, residências, shows, aula magna, festas e encontros com artistas negros de diferentes regiões do Brasil e diferentes países. As atividades são oferecidas de forma gratuita e a programação completa você confere aqui.
O evento chega com a proposta de descentralizar, criar redes e ocupar espaços com arte negra em movimento. A iniciativa também busca construir um olhar aprofundado sobre a arte e contribuição de artistas negros para a cultura brasileira. “A Cura se firma como espaço de visibilidade, formação de público e articulação política entre artistas e territórios”, afirmam os curadores do projeto.
Neste ano, o evento apresenta companhias e artistas de destaque no circuito de festivais, como a Cia. Heliópolis, com o espetáculo A boca que tudo come tem fome (do cárcere às ruas). Também participam das festividades o coreógrafo Mário Lopes com as três performances que integram o projeto Afrotranstopia; o espetáculo Danúbio, do Grupo Sutil Ato, do Distrito Federal; Cícera, de São Paulo e Cordão, de Malu Avellar, também de São Paulo.
Das produções sul–riograndenses, destaca-se a estreia do novo espetáculo da Espiralar Encruza, Molha, e importantes montagens gaúchas como Kiki Ball da Cura, Vozes de Dandara, Relaxamento Afro, entre outras atrações.

Abre-alas
A programação ainda abarca um encontro com curadores de festivais brasileiros. Abre-Alas: festivais em aquilombamento é uma articulação entre o Festival de Dança Itacaré (BA), do Dona Ruth: Festival de Teatro Negro de São Paulo e da Mostra Cura de Artes Cênicas Negras (Porto Alegre/Pelotas – RS).
A atividade busca ampliar a discussão das diferenças éticas e políticas, vislumbrando os devires negros nas artes da cena. Articula estratégias conjuntas para continuidade de eventos negros produzidos no Brasil, buscando o diálogo com instituições nacionais que fomentam as artes. Neste primeiro ano lançam a proposição de um corredor cultural para circulação de artistas e obras cênicas, tendo o espetáculo Danúbio, da Cia Sutil Ato (Sobradinho-DF) como sua primeira experiência.
Estarão presentes Verusya Correia, idealizadora e diretora artística do Festival de Dança Itacaré; Gabriel Cândido, idealizador e curador do festival Dona Ruth: Festival de Teatro Negro de São Paulo, e Soraya Martins, artista, pesquisadora, crítica de dança e curadora independente, convidada esse ano para a equipe do Dona Ruth. Além dos curadores, representantes da Funarte, Itaú Cultural, Fundação Palmares e SESC Nacional vão acompanhar o encontro.
A Mostra Cura – Deslocamentos é realizada com recursos federais da Lei Aldir Blanc e conta com apoio da Casa de Cultura Mario Quintana, SESC-RS, Ieacen, Fundação Theatro São Pedro, Associação dos amigos do Theatro São Pedro, Secult Pelotas, Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, Cinemateca Paulo Amorim.
Rede de encontros, articulação e celebração

Em mais um ano de realização, a Cura – Mostra de Artes Cênicas Negras promove uma rede de encontros, articulação e celebração das performatividades negras no sul do Brasil. Desde 2020, curadores e equipe de produção vêm trabalhando de modo a tornar público a vasta produção de artistas brasileiros e internacionais que compõem um grande espectro das matrizes do pensamento e dos fazeres negros no campo das artes da cena. E assim, chega em sua terceira edição fortalecida e maior, cumprindo sua função política em um país marcado pelas desigualdades, promovendo uma relação profunda com a construção, a manutenção e a contribuição de artistas negros para a cultura brasileira.
“A Cura ousa, e muito, ao propor um festival simultâneo em duas cidades que se encontram a uma distância de 240 quilômetros uma da outra: Porto Alegre e Pelotas”, comemora a curadoria do projeto.
A proposta da Mostra Cura, neste ano, volta-se para sua curta, porém intensa trajetória, e se ocupa em pensar a partir da noção de deslocamentos, os devires criativos negros. “Diáspora, deslocamentos pretos nas geografias, estradas e mapas, na terra, nas matas, entre realidades. Deslocamento de linguagens, no corpo, no tempo. Gesto como deslocamento. Deslocamentos da capital para o interior e do interior para a capital. Entre margem e centro, reposicionando lógicas, desfazendo estruturas, criando e imaginando um novo território, que se faz pelos movimentos dos corpos em articulação”, reafirma a equipe curatorial.
“O que podem artistas negros proporem como deslocamento de linguagens consolidadas? Dança, teatro, performance e música tramados por gestos que dinamizam, e rompem limites. Queremos pensar as diferentes e plurais inteligências negras como recriadoras de modos de estar no mundo”, finalizam.
Serviço
Mostra Cura – Deslocamentos
De 10 a 20 de novembro | Porto Alegre e Pelotas
Espetáculos gratuitos | Ingressos 1h antes no local
Oficinas com inscrição mediante formulário online online: @mostracura
*A boca que tudo come tem fome (do cárcere às ruas), da Cia Heliópolis (SP) terá venda de ingressos populares, com valores de R$ 30 e meia entrada de R$ 15, na plataforma de vendas do Theatro São Pedro.
