Trabalhadores de Portugal realizam nesta quarta-feira (3) uma greve geral contra uma reforma trabalhista que está sendo discutida no parlamento do país. O governo português afirma que as mudanças são necessárias para modernizar o mercado de trabalho e atrair investimentos. Já os sindicatos acusam o projeto de ampliar a precarização das relações de trabalho, acelerar demissões e enfraquecer direitos historicamente conquistados. Entre as medidas, estão a flexibilização de contratos temporários e ampliação da terceirização e mudanças nas regras de jornada de trabalho. Os setores que já estão sendo impactados pela paralisação são os aeroviários e os ferroviários.
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, João Barreiros, responsável pelo Departamento de Relações Internacionais da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses — Intersindical Nacional (CGTP-IN), avalia como um sucesso a mobilização de trabalhadores. “Essa greve foi a segunda que realizamos desde a apresentação desse pacote de reformas, que aconteceu em agosto do ano passado. Realizamos uma greve geral em dezembro depois que o governo enviou para a Assembleia da República. O nível de adesão foi muito alto, desde o setor público até o setor privado”, avalia.
Barreiros minimiza o grau de influência do primeiro-ministro Luis Montenegro, reeleito na semana passada e grande apoiador do projeto de reforma trabalhista, e aposta que a prova disso são as mobilizações populares. “A resposta foi a luta que os trabalhadores desenvolveram durante o dia de hoje [quarta-feira]. Vamos lembrar que essa proposta está sendo debatida e tentando ser aprovada em meados de outubro do ano passado e, até agora, não foi aprovada. E continua tendo uma grande rejeição dos trabalhadores”, ressalta.
João Barreiros destaca alguns dos pontos mais preocupantes da reforma. “O que acontece quando alguém é demitido sem justa causa, o trabalhador pode ir até a Justiça para questionar essa decisão. O que o governo propõe é que, mesmo que o trabalhador questione a demissão e vença na justiça, a empresa não precisa reconduzi-lo ao posto de trabalho. Outra questão é com o banco de horas, que exige que o trabalhador tenha que fazer duas horas a mais de trabalho por dia. A outra situação é que o jovem que nunca tenha tido contrato estável de trabalho poderá continuar precarizado”, cita.
Para ouvir e assistir
O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
