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Em Portugal, trabalhadores realizam greve contra reforma que precariza emprego e direitos

João Barreiros avalia como um sucesso a paralisação e destaca adesão de diversos setores

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People with a poster reading “The cost pot living rises and te people can’t stand it” and waving trade union flags as they line the streets during a demonstration in Lisbon called by the main unions due to a 24-hour general strike over proposed labour reforms. The stoppage hit transport companies as well as waste collection, hospitals and schools, according to the General Confederation of Portuguese Workers (CGTP). (Photo by PATRICIA DE MELO MOREIRA / AFP)
Trabalhadores portugueses realizam greve geral contra reforma trabalhista | Crédito: Patricia de Melo Moreira/AFP

Trabalhadores de Portugal realizam nesta quarta-feira (3) uma greve geral contra uma reforma trabalhista que está sendo discutida no parlamento do país. O governo português afirma que as mudanças são necessárias para modernizar o mercado de trabalho e atrair investimentos. Já os sindicatos acusam o projeto de ampliar a precarização das relações de trabalho, acelerar demissões e enfraquecer direitos historicamente conquistados. Entre as medidas, estão a flexibilização de contratos temporários e ampliação da terceirização e mudanças nas regras de jornada de trabalho. Os setores que já estão sendo impactados pela paralisação são os aeroviários e os ferroviários.

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, João Barreiros, responsável pelo Departamento de Relações Internacionais da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses — Intersindical Nacional (CGTP-IN), avalia como um sucesso a mobilização de trabalhadores. “Essa greve foi a segunda que realizamos desde a apresentação desse pacote de reformas, que aconteceu em agosto do ano passado. Realizamos uma greve geral em dezembro depois que o governo enviou para a Assembleia da República. O nível de adesão foi muito alto, desde o setor público até o setor privado”, avalia.

Barreiros minimiza o grau de influência do primeiro-ministro Luis Montenegro, reeleito na semana passada e grande apoiador do projeto de reforma trabalhista, e aposta que a prova disso são as mobilizações populares. “A resposta foi a luta que os trabalhadores desenvolveram durante o dia de hoje [quarta-feira]. Vamos lembrar que essa proposta está sendo debatida e tentando ser aprovada em meados de outubro do ano passado e, até agora, não foi aprovada. E continua tendo uma grande rejeição dos trabalhadores”, ressalta.

João Barreiros destaca alguns dos pontos mais preocupantes da reforma. “O que acontece quando alguém é demitido sem justa causa, o trabalhador pode ir até a Justiça para questionar essa decisão. O que o governo propõe é que, mesmo que o trabalhador questione a demissão e vença na justiça, a empresa não precisa reconduzi-lo ao posto de trabalho. Outra questão é com o banco de horas, que exige que o trabalhador tenha que fazer duas horas a mais de trabalho por dia. A outra situação é que o jovem que nunca tenha tido contrato estável de trabalho poderá continuar precarizado”, cita.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Luís Indriunas

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