'Um equívoco'

‘Neymar na Copa mostra que quem manda no futebol brasileiro são as grandes corporações’, diz ativista

Alex Minduim avalia que Neymar é referência para a juventude e por isso a conduta extra campo é importante

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Rafael Ribeiro/CBF
Neymar não vai para amistoso contra Egito | Crédito: Rafael Ribeiro/CBF

No próximo sábado (6), acontece o último amistoso entre Brasil e Egito, o último confronto antes do início da Copa do Mundo. A ausência de Neymar, já esperada por conta da lesão na panturrilha, levanta o debate sobre a validade da escolha do técnico Carlo Ancelotti em escolher um jogador tão contestado para a Copa do Mundo.

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Alex Minduim, cofundador da Associação Nacional das Torcidas Organizadas, avalia que a escolha de Neymar considera que o dinheiro dos patrocínios que envolve o futebol falou mais alto.

“Eu estava numa esperança de que o Ancelotti fosse montar uma seleção baseada na qualidade futebolística a partir do que os jogadores apresentavam nos últimos meses. Eu me surpreendi com o Neymar porque ele não está rendendo nos últimos seis meses como deveria render um jogador de seleção. O que mais chocou foi o tamanho de publicidade que rendeu para esse jogador e para as empresas que estão por trás dele. É cifra milionária, o que prova que o técnico não poderá ter autonomia, no sentido de apresentar o que há de melhor no futebol brasileiro. Mas foi convocado e fica nossa torcida para que ele se recupere. Esse momento que ele está vivenciando será a última Copa dele para que ele possa trazer alegria para o povo brasileiro que ama o futebol”, analisa.

Minduim destaca a pouca presença de jogadores que estão atuando em território nacional. “São poucos jogadores que jogam em território nacional e isso dificulta muito o sentimento do brasileiro em relação à seleção. O entusiasmo é o mesmo, mas a proximidade com o jogador não acontece. Ancelotti optou, em sua maioria, por jogadores que não atuam em território brasileiro”, aponta.

Alex Minduim ressalta a importância de avaliar o jogador em suas mais diversas esferas, porque, dentro do futebol, lidamos com paixões e com modelos. “A questão extracampo é importante. Ele [Neymar] é visto como ídolo de vários adolescentes, jovens. A postura do Neymar, inclusive com relação às mulheres, ficou aquém. A postura dele como atleta e como pessoa ficou aquém. A gente precisa entender que um jogador de seleção precisa ter uma responsabilidade ímpar porque a juventude segue o que ele fala e faz. Eu continuo achando um equívoco a escalação de Neymar, tanto do ponto de vista técnico como da postura. E, mais uma vez, é uma demonstração de que quem manda no futebol brasileiro são as grandes corporações.”

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Luís Indriunas

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