Um grupo de deputados federais alinhados ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está em Washington desde quinta-feira (4) para apresentar a parlamentares estadunidenses documentos e informações que contestam as justificativas utilizadas pela administração dos Estados Unidos para impor tarifas contra produtos brasileiros.
A comitiva foi formada por Jandira Feghali (PCdoB-RJ), André Janones (Avante-MG), Pedro Uczai (PT-SC) e Pedro Campos (PSB-PE). Segundo os parlamentares, o objetivo foi apresentar aos congressistas estadunidenses dados que demonstram a relação comercial favorável aos Estados Unidos, contrapondo narrativas que vêm sendo difundidas por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Os Estados Unidos também precisam conhecer o outro lado”, afirmou Pedro Campos ao Brasil de Fato. De acordo com o deputado pernambucano, a missão buscou ampliar o diálogo com integrantes do Partido Democrata e construir uma contraposição à atuação do senador Flávio Bolsonaro e do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que têm intensificado contatos com setores do Partido Republicano.
O líder do governo Lula disse que “é importante que as provas sejam apresentadas” e que o ambiente se torne “conhecedor” da relação comercial entre Brasil e EUA. Durante a visita a Washington, entre as agendas, os parlamentares brasileiros se reuniram com a congressista democrata Sydney Kamlager-Dove. Segundo Pedro Campos, a deputada se comprometeu a solicitar uma investigação sobre as denúncias relacionadas ao Banco Master e ao envio de recursos ao exterior, supostamente destinados à produção do filme “Dark Horse”, que trata da vida de Jair Bolsonaro.
A iniciativa ocorre em meio ao aumento das tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos e à ofensiva de aliados do bolsonarismo junto a setores conservadores estadunidenses. Para os deputados governistas, a aproximação com parlamentares democratas é uma forma de apresentar informações que, segundo eles, têm sido omitidas do debate e defender os interesses econômicos brasileiros diante das medidas tarifárias adotadas por Washington.
‘Tariflávio’
O governo de Donald Trump anunciou uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos importados de 60 países, entre eles o Brasil, sob a justificativa de que essas economias falharam em impedir a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado. A decisão foi tomada logo após visita do filho “01” do ex-presidente Jair Bolsonaro, o senador e pré-candidato ao Planalto, Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A medida foi proposta após uma investigação do Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e pode ampliar a pressão comercial sobre produtos brasileiros, que já são alvo de uma proposta de taxação de 25%, anunciada na segunda-feira (1º). Essa última tarifa foi proposta após o USTR concluir que políticas e práticas do Brasil seriam “irrazoáveis” e restringiriam o comércio estadunidense. Entre os pontos citados estão questões relacionadas ao comércio digital e ao desmatamento ilegal. Ainda não se sabe, no entanto, se as taxas são cumulativas.
Sobre a nova tarifa de 12,5%, a investigação foi aberta em março com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Segundo o governo estadunidense, os países analisados não adotam mecanismos suficientes para impedir o trabalho forçado e a importação de bens produzidos com trabalho forçado em outras partes do mundo. Portanto, a justificativa não está centrada somente na produção doméstica dessas economias, mas também na fiscalização de produtos importados que entram em seus mercados.
