Neste sábado (6), acontece a inauguração da Escola da Terra Rede Livres, em Valinhos, no interior de São Paulo. Nascida a partir de uma construção popular e coletiva, essa iniciativa busca formar agricultores e agricultoras na agroecologia e na economia solidária, e também representar um espaço de resistência e construção de um novo modelo de sociedade.
Ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Arlei Medeiros, coordenador da Rede Livres, explica que o projeto Rede Livres surge de uma iniciativa do Sindicato dos Químicos Unificados a partir de uma luta por causa de uma contaminação ocorrida na cidade de Paulínia numa fábrica de pesticida da Shell, entre 2000 e 2003. “
Nós fizemos uma luta de 2000 a 2003. E tivemos que tomar uma decisão muito importante nos Químicos Unificados, que é um sindicato que representa 50 mil pessoas, desde Osasco até aqui, a região de Campinas. E a decisão que nós tomamos foi a seguinte: o lucro nunca deve estar acima da vida. E fizemos essa luta contra o caso Shell, fechamos essa unidade. Aí muita gente questionou: mas um sindicato fechando uma unidade? Mas nós tomamos essa decisão. O lucro não pode estar acima da vida. Foi o maior caso vitorioso de indenização trabalhista do Brasil, em que foram R$ 200 milhões de danos morais coletivos, R$ 200 milhões para os trabalhadores e um fundo vitalício de 100 pessoas que vai sempre existir enquanto houver uma vida. E esse fundo tem que manter uma reserva de R$ 50 milhões. E nós decidimos, em 2013, nessa luta, que a gente ia dar uma contribuição para diminuir o espaço do agronegócio e construir uma nova cadeia produtiva que fosse alternativa ao agronegócio. Aí a gente decidiu fazer o projeto Rede Livres”, explica.
A escolha do nome foi para representar que o espaço seria livre de tudo que é o contrário da vida. “Livre de agrotóxico, do sistema capitalista, das amarras de produção. A Rede Livres combina produção sem adubos químicos, autogestionada e tudo que é produzido volta para os trabalhadores que produziram tudo”, explica Medeiros.
As turmas da escola serão de no máximo 30 pessoas e existe a garantia de hospedagem e alimentação, conta Arlei Medeiros, e o único requisito para estudar é querer aprender e construir coletivamente. “Ela surge da necessidade real dos agricultores e agricultoras de completar um ecossistema de produção agroecológica. Nós temos uma rede completa que vai desde o planejamento, passando pelo financiamento até a produção. Nós temos seis parceiros, que é o MST {Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra], o Movimento dos Pequenos Agricultores, o Instituto Serra dos Cocais, a Certificadora ANC e também o CRSA, que é a cooperativa de associativismo rural”, explica.
Para ouvir e assistir
O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
