Copa do Mundo 2026

Seleção do Irã desembarca no México em meio a entraves dos EUA para concessão de vistos

'Que tipo de comportamento é esse?', questionou o técnico iraniano, Amir Ghalenoei, em entrevista à TV Fifa

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Jogadores do Irã caminham na pista ao chegarem ao Aeroporto Internacional de Tijuana para Copa do Mundo 2026
Jogadores do Irã caminham na pista ao chegarem ao Aeroporto Internacional de Tijuana para Copa do Mundo 2026 | Crédito: Guillermo Arias/AFP

A seleção de futebol do Irã desembarcou, neste domingo (7), em Tijuana, no México, para jogar a Copa do Mundo de 2026. A participação da equipe no torneio é impactada pela guerra com os Estados Unidos, um dos três países-sede, que tem também o Canadá. O governo estadunidense não emitiu vistos para toda a delegação oficial.

O técnico da seleção iraniana de futebol criticou a forma como os Estados Unidos lidaram com a questão. Em entrevista à Fifa TV, após o desembarque, Amir Ghalenoei agradeceu os esforços da Federação Internacional de Futebol Associado (Fifa) para garantir a participação da equipe.

“Não é assim que se trata uma equipe que passou 21 horas no ar e que tem uma competição marcada para daqui a apenas oito dias”, declarou, de acordo com a agência de notícias iraniana Isna.

Ele destacou ainda que, do ponto de vista técnico, a equipe deveria ter chegado uma semana antes. Os países possuem um fuso horário de 12 horas de diferença. “Nesses torneios, os padrões éticos e humanitários devem ser respeitados juntamente com as questões técnicas. Esses princípios foram negligenciados em nosso caso, embora a grande nação do Irã tenha se acostumado a esse tipo de tratamento nas últimas décadas.”

Ainda durante a entrevista, Ghalenoei acrescentou que, embora os jogadores e a comissão técnica tenham recebido seus vistos, a equipe administrativa, o diretor executivo e a equipe de imprensa tiveram a entrada negada. “Eu pergunto a vocês, que tipo de comportamento é esse? Espero que isso seja corrigido e que tais ações nunca mais se repitam.”

Entre os que não receberam vistos americanos estavam o secretário-geral da Federação de Futebol Iraniana (IFI), Hedayat Mombini, juntamente com o diretor executivo da seleção nacional, Mehdi Kharati, e o diretor de comunicação, Mohsen Motamedkia.

Também foram excluídos das aprovações emitidas pelo Departamento de Estado dos EUA os delegados do Ministério das Relações Exteriores do Irã que faziam parte da equipe de logística institucional.

O capitão da equipe, Ehsan Hajsafi, também expressou suas queixas à Fifa TV sobre as complicações com os vistos após voo da equipe para Tijuana. “Estou feliz que nossa equipe finalmente chegou a esta cidade. Felizmente, as condições da equipe são muito boas e, finalmente, nos concederam os vistos depois de tudo o que nos fizeram passar. No entanto, embora estejamos gratos por estarmos aqui, devemos reclamar com a Fifa sobre o motivo pelo qual esses vistos foram emitidos com tanta demora.”

Cronograma

A equipe iraniana teve que reestruturar seus cronogramas de viagem devido a atrasos administrativos impostos por Washington. Após diversos pedidos da federação iraniana, a Fifa autorizou a transferência do centro de treinamento da seleção persa para a cidade de Tijuana, em território mexicano.

O plano original previa o treinamento do Irã em Tucson, Arizona, mas o aumento das tensões políticas e o conflito diplomático direto forçaram a mudança de local, para preservar a segurança dos atletas.

Condições na disputa

O Irã está no Grupo G da Copa do Mundo e vai enfrentar as seleções da Nova Zelândia, Bélgica e Egito. As duas primeiras partidas da fase de grupos serão disputadas em Los Angeles, nos dias 15 e 21 de junho, e o jogo final da primeira fase será em Seattle, no dia 27.

Para o técnico Amir Ghalenoei, o novo modelo de competição, com mais seleções, torna a disputa mais complexa. “Em um torneio com 48 equipes, mesmo avançando da fase de grupos, você enfrenta uma fase eliminatória adicional só para chegar às oitavas de final. Alguns comentaristas afirmam erroneamente que o formato com 48 equipes facilita as coisas, mas, sem estudar os aspectos técnicos, não percebem que a fase eliminatória subsequente torna o caminho muito mais difícil”, avaliou à Fifa TV.

*Com informações de Isna e AFP

Editado por: Monyse Ravena

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