eleições 2026

Aliança entre PT e PDT no RS representa ‘recomposição das forças trabalhistas’ diante da polarização, diz analista político

Benedito Tadeu César considera que forças progressistas precisam se unir contra direita que tem se fortalecido no estado

No audio source provided.
Edegar Pretto e Juliana Brizola
Edegar Pretto e Juliana Brizola | Crédito: Fabio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil/Reprodução/Facebook

Pela primeira vez em 30 anos, o Partido dos Trabalhadores (PT) não terá candidatura própria no Rio Grande do Sul (RS). Edegar Pretto (PT) abriu mão de ser cabeça de chapa e sairá como candidato à vice-governador na chapa de Juliana Brizola (PDT). A participação do estado no pleito de 2026 foi o tema do capítulo desta segunda-feira (8) da série especial sobre eleições no É de Manhã, da Rádio Brasil de Fato.

Para Benedito Tadeu César, professor aposentado da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e coordenador da Rede Estação Democracia, o entendimento do partido foi correto diante de uma conjuntura de polarização, em que as forças progressistas precisam se unir e não rivalizar.

“O PT do Rio Grande do Sul é um PT bastante combativo, um PT que já conquistou inúmeras vezes diversos municípios com sua prefeitura, já teve as maiores bancadas na Câmara e na Assembleia Legislativa do estado, e governou o estado e a capital diversas vezes. Isso tem muito a ver com a marca petista de governar e de fazer campanha”, explica.

“Há uma recomposição das forças trabalhistas no Rio Grande do Sul historicamente. Vamos lembrar que em em 1989, o Brizola teve mais de 70% dos votos aqui no primeiro turno. E esses votos foram quase que integralmente transferidos para o Lula no segundo turno. Então, a força do trabalhismo é muito forte e o PT ocupou esse espaço, só que eles vêm perdendo terreno. Foi difícil para o PT assumir, assimilar a necessidade de fazer uma composição que historicamente era muito difícil de ser conseguida, porque havia muitos ressentimentos entre o PDT e o PT”, avalia César.

Segundo ele, a aliança será muito importante para construir uma campanha vitoriosa. “A minha avaliação pessoal é que isso vai ser muito benéfico, e eu acho que as pesquisas estão mostrando isso. Há uma chance real das forças progressistas populares irem ao segundo turno, conquistar o governo do estado e inclusive até possivelmente as duas cadeiras para o Senado”, aposta.

Benedito Tadeu César explica que, apesar de uma construção de pré-campanha bem sucedida, Pretto estava com dificuldades de se inserir na centro-direita que não é bolsonarista, mas é antipetista e antilulista.

“O Edegar tem uma marca muito grande com os movimentos populares, com o movimento dos pequenos agricultores, e tinha dificuldade para transitar nessa área. A Juliana, pelo seu próprio perfil, e pelo fato de que o PDT compôs o governo Eduardo Leite, tem trânsito nessa área de centro-direita. Vamos ser claros: o PDT, nos últimos anos, fez uma trajetória ao centro e até tinha setores do partido ligados ao bolsonarismo. Então, pode parecer estranho como a esquerda faz uma aliança dessa maneira. Mas houve uma compreensão de que o cenário nacional exigia avançar junto aos setores de centro-direita. Isso era muito importante tanto para a conquista do governo do estado quanto para garantir uma boa votação para Lula no Rio Grande do Sul, no primeiro e no segundo turno. Essa composição, que em um primeiro momento pode até parecer um pouco estranha, foi considerada fundamental. Eu acredito que a eleição não está definida e ainda há muito trabalho pela frente”, avalia.

Para ouvir e assistir

O É de Manhã vai ao ar de segunda a sexta-feira às 07h da manhã na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

|

Newsletter