Pela primeira vez em 30 anos, o Partido dos Trabalhadores (PT) não terá candidatura própria no Rio Grande do Sul (RS). Edegar Pretto (PT) abriu mão de ser cabeça de chapa e sairá como candidato à vice-governador na chapa de Juliana Brizola (PDT). A participação do estado no pleito de 2026 foi o tema do capítulo desta segunda-feira (8) da série especial sobre eleições no É de Manhã, da Rádio Brasil de Fato.
Para Benedito Tadeu César, professor aposentado da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e coordenador da Rede Estação Democracia, o entendimento do partido foi correto diante de uma conjuntura de polarização, em que as forças progressistas precisam se unir e não rivalizar.
“O PT do Rio Grande do Sul é um PT bastante combativo, um PT que já conquistou inúmeras vezes diversos municípios com sua prefeitura, já teve as maiores bancadas na Câmara e na Assembleia Legislativa do estado, e governou o estado e a capital diversas vezes. Isso tem muito a ver com a marca petista de governar e de fazer campanha”, explica.
“Há uma recomposição das forças trabalhistas no Rio Grande do Sul historicamente. Vamos lembrar que em em 1989, o Brizola teve mais de 70% dos votos aqui no primeiro turno. E esses votos foram quase que integralmente transferidos para o Lula no segundo turno. Então, a força do trabalhismo é muito forte e o PT ocupou esse espaço, só que eles vêm perdendo terreno. Foi difícil para o PT assumir, assimilar a necessidade de fazer uma composição que historicamente era muito difícil de ser conseguida, porque havia muitos ressentimentos entre o PDT e o PT”, avalia César.
Segundo ele, a aliança será muito importante para construir uma campanha vitoriosa. “A minha avaliação pessoal é que isso vai ser muito benéfico, e eu acho que as pesquisas estão mostrando isso. Há uma chance real das forças progressistas populares irem ao segundo turno, conquistar o governo do estado e inclusive até possivelmente as duas cadeiras para o Senado”, aposta.
Benedito Tadeu César explica que, apesar de uma construção de pré-campanha bem sucedida, Pretto estava com dificuldades de se inserir na centro-direita que não é bolsonarista, mas é antipetista e antilulista.
“O Edegar tem uma marca muito grande com os movimentos populares, com o movimento dos pequenos agricultores, e tinha dificuldade para transitar nessa área. A Juliana, pelo seu próprio perfil, e pelo fato de que o PDT compôs o governo Eduardo Leite, tem trânsito nessa área de centro-direita. Vamos ser claros: o PDT, nos últimos anos, fez uma trajetória ao centro e até tinha setores do partido ligados ao bolsonarismo. Então, pode parecer estranho como a esquerda faz uma aliança dessa maneira. Mas houve uma compreensão de que o cenário nacional exigia avançar junto aos setores de centro-direita. Isso era muito importante tanto para a conquista do governo do estado quanto para garantir uma boa votação para Lula no Rio Grande do Sul, no primeiro e no segundo turno. Essa composição, que em um primeiro momento pode até parecer um pouco estranha, foi considerada fundamental. Eu acredito que a eleição não está definida e ainda há muito trabalho pela frente”, avalia.
Para ouvir e assistir
O É de Manhã vai ao ar de segunda a sexta-feira às 07h da manhã na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
