Um grupo de parlamentares brasileiros da base governista esteve em Washington (EUA) para apresentar um contraponto às narrativas da extrema direita brasileira. A comitiva formada por Jandira Feghali (PCdoB-RJ), André Janones (Avante-MG), Pedro Uczai (PT-SC) e Pedro Campos (PSB-PE) tinha como principal objetivo apresentar aos congressistas dos EUA dados que demonstram a relação comercial favorável aos Estados Unidos, refutando narrativas difundidas recentemente por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, a deputada federal Jandira Feghali fala um pouco das reuniões e articulações realizadas nos EUA na semana passada. A deputada destaca como grande novidade o pedido de uma investigação financeira por conta das remessas de dinheiro entre o banqueiro Daniel Vorcaro, Flávio e Eduardo Bolsonaro.
“São US$ 25 milhões que eles argumentam ser para um filme. Obviamente, nem a produtora do filme disse que recebeu esse dinheiro. Esse dinheiro foi para um fundo chamado Havengate Found, que está no Texas, num escritório administrado pelo advogado do Eduardo Bolsonaro. E Eduardo Bolsonaro comprou uma casa no Texas. Nós precisamos saber qual foi o caminho que ele percorreu para chegar no Texas, nesse fundo, para esse advogado do Eduardo Bolsonaro. A gente pediu aos deputados, inclusive vários deles se comprometeram a pedir ao Departamento de Justiça norte-americano a investigação, além dos instrumentos próprios do Congresso dos Estados Unidos para investigação da lavagem de dinheiro”, conta.
Outros pontos discutidos foram a designação de organizações terroristas para o crime organizado brasileiro, além da questão das tarifas e das ameaças ao Pix. “Reestruturamos a agenda a partir desses três temas. O primeiro deles foi reafirmar a democracia e a soberania brasileira em seus processos internos de decisão. Não vamos aceitar interferência externa sobre a nossa democracia. Para isso, conversamos com diversos deputados, senadores e também com representantes da Organização dos Estados Americanos (OEA), não apenas na Comissão Interamericana de Direitos Humanos, mas também na Comissão de Fortalecimento da Democracia, responsável pela observação eleitoral nos países”, explica.
Segundo Feghali, a OEA encaminhará ao Brasil uma missão de observação eleitoral. “Durante os encontros, alertamos sobre todos os tipos de riscos que podemos enfrentar, não apenas aqueles relacionados aos acontecimentos de 8 de janeiro, mas também à violência política, à violência física e a outras ameaças ao processo democrático”, destaca.
Com relação à taxação dos produtos brasileiros, a parlamentar conta que a comitiva levou um documento de 90 páginas contestando ponto a ponto o que foi julgado na chamada seção 301. “Os Estados Unidos são superavitários em relação ao Brasil em cerca de US$ 400 bilhões desde 2007. Portanto, não haveria razão para a imposição de tarifas sob o argumento de um déficit na relação comercial entre Brasil e Estados Unidos. Eles também argumentaram a questão das redes sociais, alegando que a Suprema Corte teria limitado o papel dessas plataformas. De fato, a Suprema Corte promoveu uma regulação básica das redes sociais no contexto eleitoral, com o objetivo de prevenir crimes e proteger a integridade do processo democrático”, ressalta.
De acordo com Jandira Feghali, com relação ao Pix, o principal argumento é que o sistema de pagamentos representaria uma ameaça aos cartões de crédito e outros meios tradicionais. “Esse patrimônio brasileiro, expressão da soberania financeira do país, é uma inovação sem paralelo no mundo. Não existe atualmente um sistema tão avançado quanto o Pix, criado pelo Banco Central do Brasil. Na avaliação deles, o sistema representaria uma ameaça às bandeiras e aos cartões de crédito tradicionais. Esses foram apenas três dos vários argumentos utilizados para tentar justificar medidas de punição contra o Brasil”, relata.
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