A greve dos estudantes da Universidade de São Paulo (USP), que durou mais de 50 dias, terminou mesmo sem a reitoria apresentar uma solução para as demandas, que incluem melhorias nas refeições oferecidas nos campi e aumento do auxílio de permanência estudantil. O clima de tensão no instituição continua. Na noite de segunda-feira (8), um grupo de estudantes revoltados com a condução das negociações ocupou blocos da administração central.
Para Daniel Cara, professor da Faculdade de Educação da USP, a ausência de resolução para os motivos da paralisação perpetua o clima de conflito. Cara também lamenta a postura da reitoria, que, segundo ele, não deixou qualquer espaço para uma negociação efetiva.
“Eu esperava uma postura mais dialógica por parte da reitoria. Foi, inclusive, um reitor cuja candidatura apoiei. Fiz declaração pública sobre isso. Mas, infelizmente, a reitoria adotou uma postura muito recuada, que inviabilizou uma possibilidade concreta de negociação e de avanço. Assim, os temas não foram resolvidos nem encaminhados. Minha experiência em relação a isso é que, provavelmente, não haverá uma greve exatamente no mesmo formato, mas a continuidade das manifestações deve ser a regra daqui para frente. Espero que os grupos de trabalho constituídos — que não necessariamente resultarão em avanços, já que a expectativa é baixa nesse sentido — possam servir como canais de negociação”, avalia em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.
O professor também destaca alguns equívocos no que diz respeito à estratégia da greve por parte dos estudantes, mas volta a insistir que os problemas continuam os mesmos. “A verdade é que a qualidade do bandejão, a qualidade da moradia estudantil, os problemas que foram apresentados na greve permanecem, mas as resoluções estão suspensas.”
Daniel Cara conta como o calendário do ano letivo pressionou bastante os estudantes para a desmobilização. “O que pressionou pro retorno às aulas e pelo fim da greve foi exatamente o calendário de Copa do Mundo somado com final de semestre. Isso resultou, como acontece em qualquer escola, numa pressão muito grande sobre os estudantes e as bases estudantis, o que geralmente não acontece com outros movimentos, muitos deles ligados a partidos.”
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