Ano Brasil-China

Pequim recebe exposição ‘O Brasil de Portinari’, primeira grande mostra do artista na Ásia

Estão reunidas 50 obras originais no Museu Nacional da China, que deve receber 4 milhões de visitas

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Cartaz da Exposição "O Brasil de Portinari" do Museu Nacional da China
Cartaz da Exposição “O Brasil de Portinari” do Museu Nacional da China | Crédito: Museu Nacional da China

A megaexposição “O Brasil de Portinari” foi aberta nesta terça-feira (9) no Museu Nacional da China, em Pequim, com cerca de 50 obras originais de Candido Portinari em exibição na instituição localizada na Praça Tiananmen. A mostra fica em cartaz até amanhã, 10 de outubro.

A abertura, às 9h, contou com a presença do secretário-executivo do Ministério da Cultura (MinC), Márcio Tavares, e da presidenta do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), Fernanda Castro. É a primeira grande exibição do artista na Ásia e uma das maiores realizadas fora do Brasil, com previsão de receber cerca de 4 milhões de visitantes no Museu Nacional, que figura entre as instituições culturais mais frequentadas do mundo.

A ministra da Cultura, Margareth Menezes, afirmou que a mostra “fortalece os laços entre Brasil e China e reafirma a cultura como dimensão estratégica da presença brasileira no mundo”. A exposição integra o “Ano Cultural Brasil-China 2026”, iniciativa bilateral prevista na Declaração Conjunta sobre a Comunidade de Futuro Compartilhado Brasil-China, acordada pelos presidentes Lula e Xi Jinping, em continuidade às comemorações do cinquentenário das relações diplomáticas bilaterais, marcado em 2024.

Projeto Portinari

A exposição é resultado de mais de quatro décadas de trabalho do Projeto Portinari, fundado em 1979 por João Candido Portinari com o objetivo de localizar, catalogar e preservar sistematicamente a produção do artista. Ao longo desse período, foram identificadas mais de 5 mil obras e reunidos cerca de 30 mil documentos, entre telas, estudos preparatórios, correspondências e registros dispersos em coleções privadas e instituições no Brasil e no exterior.

Candido Portinari (1903–1962), nascido em Brodowski, no interior de São Paulo, tornou-se uma das figuras centrais da arte brasileira do século 20 com uma produção que vai de retratos de trabalhadores rurais a murais de grande dimensão, incluindo séries como “Os Retirantes” (1944) e os painéis “Guerra e Paz” (1956), doados pelo Brasil à sede das Nações Unidas, em Nova Iorque.

Para transportar o conjunto à China, foram adotados protocolos internacionais de conservação, controle de temperatura e umidade, segurança especializada e acompanhamento técnico contínuo.

Palestra para o público chinês

A exposição ainda inclui a palestra “O Brasil nos escritos de Portinari”, na quarta-feira (10), de João Candido Portinari no Auditório Acadêmico do Museu Nacional da China, das 14h às 16h, com interpretação simultânea para o mandarim disponível no local. A atividade é parte do Ciclo de Palestras do museu e ocorre em paralelo ao Fórum Global de Diretores de Museus, que reúne em Pequim nesta semana lideranças das principais instituições culturais do mundo.

Portinari abordará a trajetória criativa do artista, a formação do acervo em 47 anos de trabalho sistematizado e o uso de inteligência artificial na autenticação e no rastreamento de proveniência das obras. A apresentação percorrerá o caminho do artista desde Brodowski (SP), onde está localizado o Museu Casa de Portinari, até o reconhecimento de sua produção em nível internacional.

Com formação em engenharia e matemática e trajetória voltada à história da arte e aos estudos culturais, João Candido organizou e curou exposições itinerantes internacionais, fóruns acadêmicos e projetos educativos ao longo de décadas.

A correspondência do Brasil de Fato na China acompanha os eventos e intercâmbios do Ano Cultural diretamente da China, reunindo nesta página reportagens, entrevistas e coberturas sobre as iniciativas promovidas pelos dois países.

Editado por: Luís Indriunas

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