O candidato de esquerda Roberto Sánchez segue à frente na disputa pela Presidência do Peru após a apuração do segundo turno ultrapassar 97,8% das atas eleitorais. Dados divulgados pela Oficina Nacional de Processos Eleitorais na manhã desta quarta-feira (10) mostram Sánchez com 50,01% dos votos válidos, o equivalente a 9.011.302 votos. Keiko Fujimori tem 49,98%, com 9.006.337 votos. Com isso, a diferença entre os dois é de 4.965 votos.
A última virada ocorreu na segunda-feira (8), quando Sánchez ultrapassou Fujimori durante a contagem oficial. Desde então, o candidato da esquerda manteve a liderança em todas as atualizações divulgadas pela autoridade eleitoral. Com quase 98% das atas contabilizadas, ainda restam documentos pendentes de processamento e análise pelos órgãos eleitorais.
A disputa é uma das mais apertadas da história recente do Peru. Na noite de segunda, quando pouco mais de 95% dos votos haviam sido contabilizados, Sánchez aparecia com 50,11%, contra 49,88% de Fujimori. Naquele momento, a vantagem era superior a 40 mil votos. Com o avanço da contagem, a diferença diminuiu, mas o candidato de esquerda continuou na frente.
Parte dos votos ainda não contabilizados vem de regiões rurais do interior do país, onde Sánchez obteve desempenho superior ao da adversária durante a campanha. Além disso, a Justiça Eleitoral peruana ainda deverá revisar atas contestadas que somam centenas de milhares de votos, processo que pode atrasar a proclamação oficial do vencedor.
Após a divulgação parcial, Keiko Fujimori afirmou que aceitará o resultado oficial da eleição, “qualquer que seja ele”. “Nós o reconheceremos e instamos nosso adversário a fazer o mesmo. Ele já indicou que respeitará o resultado oficial, que será divulgado após a apuração de 100% dos votos”, declarou. A candidata também pediu cautela aos apoiadores. “Estamos em um empate técnico. Até o momento não há nenhum vencedor. Serão dias longos”, disse.
Sánchez adotou discurso semelhante e pediu respeito ao processo eleitoral. “Que a contagem prossiga dentro dos padrões de uma eleição transparente”, afirmou durante ato com apoiadores em Lima.
Aos 57 anos, Sánchez é congressista, ex-ministro e aliado do ex-presidente Pedro Castillo. Durante a campanha, prometeu conceder indulto ao ex-mandatário, preso após a tentativa de dissolver o Congresso em 2022. O candidato também buscou moderar parte do discurso adotado no primeiro turno e afirmou que pretende manter relações “respeitosas” com os Estados Unidos e preservar a estabilidade econômica do país.
Keiko Fujimori, de 51 anos, disputa a Presidência pela quarta vez. Filha do famoso ex-presidente Alberto Fujimori, ela baseou parte da campanha no legado do pai, que governou o Peru entre 1990 e 2000. A candidata prometeu ampliar o combate ao crime organizado, fortalecer a atuação das forças de segurança e incentivar investimentos privados.
O vencedor assumirá o cargo em 28 de julho e governará por cinco anos. Sem maioria própria no Congresso, o futuro presidente precisará construir alianças para garantir governabilidade em um cenário de forte polarização política.
*Texto atualizado às 14h33.
