O Irã afirmou, nesta terça-feira (16), que qualquer nova ação militar de Israel no Líbano será considerada uma violação do memorando de entendimento firmado com os Estados Unidos para encerrar o conflito iniciado em fevereiro. A declaração ocorre após o presidente dos EUA, Donald Trump, cobrar mais responsabilidade do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e criticar a condução da ofensiva israelense contra o Hezbollah.
Em entrevista coletiva com diplomatas estrangeiros, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse que o fim dos confrontos no Líbano é parte central do acordo anunciado por Washington e Teerã. Segundo ele, o entendimento envolve “duas partes neste memorando: de um lado, Estados Unidos e Israel, e, do outro, Irã e Hezbollah”.
Araghchi afirmou que “esta é, talvez, a questão mais importante do memorando: a declaração de um fim imediato e permanente da guerra em todos os fronts, incluindo o Líbano”. O chanceler acrescentou que “pôr fim à guerra no Líbano é parte inseparável do fim completo da guerra”.
O ministro destacou ainda que o encerramento do conflito não será completo “sem uma retirada das forças israelenses dos territórios que ocuparam neste conflito”. Segundo ele, “qualquer ataque militar por parte do regime sionista contra o Líbano, de agora em diante, e a ocupação contínua de territórios libaneses a partir de agora serão considerados uma violação do memorando de entendimento”.
O acordo foi anunciado na segunda-feira (15) e deverá ser assinado na próxima sexta-feira (19) na Suíça. O governo iraniano será representado pelo presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, enquanto os Estados Unidos enviarão o vice-presidente JD Vance. Segundo Araghchi, as negociações sobre o programa nuclear iraniano e a suspensão de sanções começarão após a assinatura do documento.
O conflito teve início em 28 de fevereiro, após ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Dias depois, o Hezbollah passou a lançar projéteis contra Israel em apoio a Teerã, levando à ampliação da guerra para o território libanês. Israel respondeu com bombardeios e uma ofensiva terrestre que segue em andamento. Na segunda-feira, o Hezbollah afirmou que “repeliu” uma tentativa de avanço de tropas israelenses perto da cidade de Nabatiyeh.
Apesar do acordo, Netanyahu afirmou que as forças israelenses permanecerão no Líbano, em Gaza e na Síria “pelo tempo que for necessário”.
Paralelamente, durante participação na reunião do G7, na França, Trump afirmou que não está satisfeito com a atuação de Israel no Líbano e cobrou mudanças na estratégia do governo israelense. “Eu tive uma grande relação com Bibi [Netanyahu], mas agora Bibi precisa ser mais responsável em relação ao Líbano”, disse.
O presidente estadunidense afirmou que o Líbano foi um dos países que mais sofreu com a guerra. “Eu diria que, entre todos os países, eles foram tratados da pior forma e não conseguem se defender. E eles têm o Hezbollah, que é um problema para eles. Então não, eu não estou feliz com a forma como Israel lidou com o Líbano e com o Hezbollah”, declarou.
Trump também ressaltou o apoio dos Estados Unidos a Israel. “Sem os Estados Unidos, não haveria Israel”, afirmou. Em seguida, acrescentou que Israel “teria sido destruído há muito tempo se eu não tivesse me envolvido”.
Ao comentar a duração do conflito, Trump afirmou que Israel está combatendo o Hezbollah há tempo demais e que “muitas pessoas estão sendo mortas” no Líbano. Segundo ele, “eles deveriam ter conseguido fazer isso mais rapidamente. Isso continua para sempre e, quando isso acontece, lança uma luz negativa sobre o grande acordo, que é o acordo com o Irã”.
Enquanto as negociações avançam, o governo iraniano afirma manter suas Forças Armadas em estado de prontidão. O porta-voz do Exército iraniano, Mohammad Akraminia, disse que os Estados Unidos e Israel não alcançaram seus objetivos militares apesar do planejamento e dos recursos empregados nos conflitos recentes.
Segundo Akraminia, a experiência reforçou a confiança das Forças Armadas iranianas e demonstrou sua capacidade de resistir à pressão dos adversários. O porta-voz afirmou que um dos resultados dos confrontos foi o aumento da coordenação operacional entre os diferentes setores militares do país, o que ampliou a capacidade de resposta e o nível de preparação.
O militar também declarou que a produção nacional de equipamentos de defesa continuou durante os conflitos e permitiu a incorporação de mísseis mais avançados e de novas gerações de drones. Segundo ele, a prontidão militar é mantida em paralelo ao esforço diplomático e faz parte de uma estratégia nacional unificada.
Akraminia afirmou que as Forças Armadas continuarão protegendo a segurança e a soberania do Irã durante a implementação do memorando de entendimento e após qualquer acordo futuro. Ele acrescentou que os militares permanecem em alerta, com “os olhos abertos e as mãos no gatilho”.
