‘Jornal que ri’

Grifo 67 discute a jornada 6×1 e a Copa do Mundo em textos, cartuns, muita política e humor

Editorial destaca a força dos sites on-line, que publicam aquilo que os ‘grandões’ não divulgam

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A redução da jornada de trabalho se constitui como uma das conquistas mais importantes para a classe trabalhadora do Brasil nas últimas décadas.
A redução da jornada de trabalho se constitui como uma das conquistas mais importantes para a classe trabalhadora do Brasil nas últimas décadas. | Crédito: Tânia Rego/Agência Brasil

Saiu a edição número 67 do Grifo, conhecido como “o jornal que ri”. Dois temas dominam os cartuns, charges e textos: trabalhadores e a jornada 6×1 e a Copa do Mundo, dois assuntos do momento. É uma edição para fazer história, sempre com humor, análise crítica e a defesa da sua maior bandeira – o debate público e a reflexão. Os profissionais que ali mostram seu trabalho, na maioria dos casos, estão à margem dos grupos de comunicação corporativos, tanto no aspecto regional e nacional.

O jornal é editado pela Grafar (Grafistas Associados do Rio Grande do Sul), uma associação de cartunistas do RS. Fundada em 1987 em Porto Alegre, a entidade reúne gerações de artistas gráficos focados em charges, caricaturas, tirinhas e cartuns, com forte atuação social e cultural.

Historicamente, a associação promove exposições coletivas em espaços como a Galeria Ecarta (João Pessoa, 943, Porto Alegre) e eventos no Clube de Cultura (Ramiro Barcelos, 1853) e na Loja Brasa (José do Patrocínio, 607). Para acompanhar o trabalho atualizado dos artistas e notícias sobre o mercado gráfico, você pode acessar o blog oficial Tinta China ou a página dos Cartunistas do Rio Grande do Sul no Facebook.


O número 67 é editado pelo professor, cartunista e jornalista Celso Schröeder, o jornalista Marco Schuster e os adjuntos Celso Vicenzi e Gilmar Eitelwein. Participam desta edição: Cuba – Jorge Sanches Arias, Brady, Izquierdo e Luis Enrique Pérez Hechavarria; Rio de Janeiro – Máximo Dênis Pimenta, Dóro; RS – Edgar Vasques, Elias, Ernani Ssó, Fabiane Langona, Gilmar Eitelwein, Jô, Juska, Kayser, Lu Vieira, Luiz Faria, Marco Schuster, Máucio, Óscar Fuchs, Paulo de Tarso Riccordi, Santiago e Schröeder; Santa Catarina – Celso Vicenzi; São Paulo – Bira Dantas, Carlos Castelo, Milton Saldanha e Mouzar Benedito.

Grandes momentos do absurdo

São autores dos textos, cartuns, tiras, editoriais, sempre com muita ironia e deboche sobre os temas centrais e também sobre momentos da política considerados hilários ou grandes blefes – como questões envolvendo Trump, Flávio Bolsonaro, Vorcaro e outras personalidades que se acham sérias, mas colocadas em momentos tremendamente bizarros e absurdos. O filme Dark Horse (O Azarão) sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro também é motivo de deboche.

No editorial, Marco Schuster comenta sobre o papel das mídias alternativas e progressistas que estão fazendo frente aos jornalões dos grandes conglomerados, sem omitir assuntos e dando destaque para quem não tem vez e voz ou omitindo notícias de interesse popular, como importantes detalhes da luta para aprovar a jornada 5×2, que dará chance aos trabalhadores curtirem um pouco da vida.

Entre estas mídias, ele cita sites on-line de notícias como “Brasil de Fato, Brasil 247, ICL Notícias, Intercept Brasil, o CGN do Nassif, Matinal, O Sol – estas são algumas das publicações independentes que estão fazendo o jornalismo que a grande imprensa, agora autonomeada mídia, deixou de lado. Acho que o Daniel Herz, falecido em 30 de maio de 2006, um jornalista profissional e militante da democratização dos meios de comunicação, iria gostar de ver, diz ele.

No segundo editorial, sobre a Copa, Shuster já vai dizendo que nem deu tempo para discutir futebol porque na mesma semana da convocação (18 de maio) “já ficamos sabendo que existem pessoas que tomam detergente e outras que não contam dinheiro em dezenas ou centenas, mas em milhões. ‘Dinheiro privado’, bradaram os suspeitos. Mas a Polícia Federal revelou que é dinheiro de fundo de aposentadoria de funcionários públicos e empresas públicas. Ou de algum outro lugar. Bem, talvez conseguíssemos discutir a lista dos 26 que vão para Copa, saiu dia 18 de maio, com Neymar, mas nem assim se discutiu muito.”

Schuster continua dizendo que “já estava na pauta a proposta para derrubar a jornada 6×1, ameaçada de derrota até o minuto final dos longos acréscimos. Mas a mobilização da torcida impediu a derrota. A disputa está no Senado, de novo ameaçada de corte e em ritmo de treino leve e toques laterais. Já a aprovação da emenda que dificulta o aborto em crianças menores de 14 anos vítimas de estupro foi como um contra-ataque rápido e fulminante: dois minutos.”

Para rir e refletir

Enfim, o Grifo está aí. Gratuitamente para quiser rir e se divertir e também refletir sobre, afinal, o que se passa no Brasil e em algumas outras partes do mundo. É só acessar Grifo no Facebook e no Instagram.

Conforme apresentação do jornal, “somos veículo de humor de quem não ignora onde nem sob que circunstâncias vive. Desenhado e escrito por quem não aluga sua pena; a usa para comentar sua época. Eis um jornal que não é inocente, que não é fofinho, não é cúmplice do mal e dos maus. Tampouco somos bonzinhos. Nossas letras e traços não são bonzinhos, engraçadinhos, espertinhos, embora busquem o riso dos que ainda só podem debochar dessa gente. Com nossa contribuição em letra, traço e cor.”

Editado por: Vivian Virissimo

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