A morte de Vilmar Pereira da Silva, de 49 anos, enquanto aguardava atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Recanto das Emas, no último sábado (20), reacendeu o debate sobre a situação da saúde pública do Distrito Federal. O caso, registrado por pacientes que estavam na unidade, gerou forte repercussão e levou parlamentares a cobrar investigação e responsabilização, além de voltar a questionar a gestão da rede pública de saúde.
Responsável pela administração das UPAs e de parte da rede hospitalar do Distrito Federal, o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF) é alvo frequente de críticas de parlamentares da oposição e de entidades ligadas à saúde. Entre os principais questionamentos estão a superlotação das unidades, a demora no atendimento e a insuficiência de profissionais, problemas que voltaram ao centro do debate após a morte de Vilmar.
Crise da saúde pública
Mesmo antes da conclusão da investigação, parlamentares afirmam que a morte de Vilmar evidencia dificuldades enfrentadas diariamente por usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) no Distrito Federal. Na avaliação deles, o episódio não pode ser tratado como um caso isolado, mas como consequência de problemas estruturais que se acumulam há anos na rede pública.
Para o deputado distrital Gabriel Magno (PT), o caso simboliza um processo de deterioração da assistência prestada à população. Segundo ele, o atual modelo de gestão no DF não consegue enfrentar problemas como filas, demora no atendimento, superlotação e falta de profissionais, cenário que vem sendo denunciado há anos.
“As circunstâncias do caso ainda precisam ser investigadas, mas a cena é devastadora e revela o grau de desumanização a que chegamos. Há anos denunciamos o caos instalado pelo modelo do Iges-DF. Filas intermináveis, superlotação, falta de profissionais, unidades funcionando no limite e uma população abandonada à própria sorte. Enquanto o governo Celina e Ibaneis faz propaganda, a realidade enfrentada por quem depende do SUS no DF é de sofrimento, espera e insegurança”, afirma.
Para o parlamentar, a morte de Vilmar deve servir como um alerta para a necessidade de mudanças estruturais na política de saúde do Distrito Federal.
“Quantas tragédias mais serão necessárias para que o governo reconheça o colapso da saúde pública e a falência do modelo do Iges? A população do Distrito Federal merece respeito, atendimento digno e um SUS forte, público e valorizado”, argumentou Magno.
A avaliação é compartilhada pelo deputado distrital Fábio Félix (Psol). O parlamentar lembra que o mandato já realizou fiscalizações na UPA do Recanto das Emas e afirma que os problemas encontrados à época continuam sem solução. Para ele, a morte reforça a necessidade de mudanças na gestão da rede.
“O caso precisa ser investigado com rigor. A população do DF está cansada de ver pessoas sofrendo e até morrendo por falta de profissionais e estrutura adequada na saúde pública. Já fiscalizamos diversas vezes a UPA do Recanto e os problemas são antigos. A superlotação e a demora no atendimento seguem sem solução”, declarou.
Parlamentares cobram mudanças na gestão
Enfermeira de formação, a deputada distrital Dayse Amarilio (PSB) relacionou a morte de Vilmar às dificuldades enfrentadas diariamente por pacientes que dependem da rede pública. Segundo ela, profissionais da saúde e usuários vêm denunciando há anos o agravamento da situação nas unidades de urgência e emergência, sem que medidas efetivas sejam adotadas.
“O paciente literalmente morreu esperando atendimento. Quem verificou o óbito foram os outros pacientes. As pessoas têm peregrinado buscando atendimento, não conseguem. Muitas vezes têm seu quadro agravado e morrem esperando por um socorro que não vem. Isso é absurdo. A saúde do Distrito Federal está em colapso. Quantas vezes nós temos que repetir?”, disse.
Outros parlamentares também cobraram esclarecimentos sobre o caso. O deputado distrital Ricardo Vale (PT) classificou como inadmissível que uma pessoa morra enquanto aguarda atendimento em uma unidade pública de saúde, e defendeu uma investigação rigorosa para apurar responsabilidades.
A deputada federal Erika Kokay (PT-DF) também se manifestou. Ela afirmou que a morte de Vilmar evidencia a realidade enfrentada diariamente por milhares de usuários do SUS no Distrito Federal, marcada por superlotação, demora no atendimento e falta de profissionais. Já o ex-deputado distrital e pré-candidato a governador, Leandro Grass (PT) avaliou que o episódio reforça denúncias antigas sobre falhas na gestão da saúde pública e cobrou mudanças estruturais na condução da política de saúde do Distrito Federal.
Iges apura circunstâncias da morte
Em nota, o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF) informou que instaurou um procedimento para apurar as circunstâncias da morte.
Segundo o instituto, a investigação foi determinada pela governadora Celina Leão (PP), em alinhamento com a Secretaria de Saúde do DF, e será conduzida “com rigor, transparência e responsabilidade”. O órgão também manifestou solidariedade aos familiares e amigos da vítima.
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