Irã e Omã anunciaram que vão manter as discussões sobre a gestão da navegação no Estreito de Ormuz por meio de um grupo de trabalho conjunto entre os ministérios das Relações Exteriores dos dois países.
Em declaração conjunta, os países reafirmaram o compromisso de garantir a segurança da navegação no estreito e informaram que seguirão negociando um acordo sobre a futura administração da via marítima, os serviços relacionados e os custos envolvidos, em conformidade com normas internacionais. As partes também concordaram em consultar outros Estados litorâneos da região e demais interessados.
O documento afirma que “o Sultanato de Omã e a República Islâmica do Irã, como os dois Estados litorâneos adjacentes ao Estreito de Ormuz, enfatizaram seu compromisso em garantir a passagem segura pelo estreito, em conformidade com as disposições pertinentes do direito internacional, ao mesmo tempo em que reafirmam sua soberania e direitos soberanos sobre suas águas territoriais no Estreito de Ormuz”.
A declaração também destaca que todos os acordos relacionados ao estreito devem respeitar a soberania dos dois países e reafirma o compromisso de manter a rota aberta à navegação internacional.
Segundo a Agência de Notícias de Omã, o país “reafirma seu apoio ao Memorando de Entendimento de ‘Islamabad’, assinado entre os EUA e o Irã, enfatizando a importância de continuar o diálogo e a coordenação para apoiar sua implementação bem-sucedida”.
As discussões ocorreram durante encontro entre o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, e o sultão de Omã, Haitham bin Tariq. As autoridades trataram dos desdobramentos das negociações entre Irã e Estados Unidos e de temas ligados ao Estreito de Ormuz.
Em paralelo, o governo iraniano afirmou que não há planos para inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) em instalações nucleares atingidas por ataques de Israel e dos Estados Unidos. Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, o Irã não realizou reuniões com o diretor-geral da agência, Rafael Grossi, e “não tem nenhum programa de inspeções para instalações nucleares danificadas em decorrência da agressão dos EUA e de Israel”.
Baqaei afirmou que não existe protocolo ou mecanismo para esse tipo de inspeção e disse que o país seguirá os procedimentos previstos pelo Tratado de Não Proliferação Nuclear. Ele também rejeitou declarações dos Estados Unidos sobre o início de negociações nucleares e o possível envio de inspetores a Teerã.
Ao comentar uma resolução recente do Conselho de Governadores da AIEA, o porta-voz agradeceu aos países que “agiram de forma responsável” e não apoiaram a iniciativa apresentada pelos Estados Unidos e países europeus. Ele citou Rússia, China e Níger e afirmou que a posição adotada por esses países foi “responsável”. Sobre os que votaram a favor da resolução, declarou que tais “dois pesos e duas medidas são inaceitáveis”.
