A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta terça-feira (23), a Operação Miragem para investigar supostos crimes contra o Sistema Financeiro Nacional relacionados à gestão do Banco Digimais. A instituição foi fundada em 1981, com o nome Banco Renner. Em 2009, o bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), começou as relações com a financeira como acionista minoritário e, desde 2020, passou a controlar integralmente a instituição.
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, a cientista política Rosemary Segurado avalia que o episódio tem muitas semelhanças com o escândalo do Banco Master. “Parece que está virando um modus operandi do sistema financeiro, e isso me parece muito grave. O Banco Central parece estar atento e acompanhando essas movimentações, porque a gente vai ter questões importantes envolvidas com essas instituições. Vale lembrar: um dos donos [do Banco Digimais] é o Edir Macedo, dono de um império religioso, que mantém uma conta com a prefeitura de São Paulo para fazer o que a gente chama de empréstimo consignado. Ou seja, funcionários públicos terem acesso a determinado tipo de financiamento bancário”, afirma.
Segurado destaca que, independentemente do resultado das investigações, é importante compreender que Edir Macedo não fez nada sozinho e que ele depende das relações no campo da política e no setor financeiro. “O que nós temos hoje é a ponta do iceberg. Quando a gente vai para baixo da água, a gente vê a enormidade que essa pontinha tem. Vamos ficar atentos, vamos acompanhar, porque é certamente apenas o começo dessa investigação”, avalia a cientista política.
Com relação a outro assunto que está permeando o noticiário da semana, que é o fim do prazo da prisão domiciliar de Jair Bolsonaro, Rosemary Segurado defende que o ministro Alexandre de Moraes deve mandar o ex-presidente para a Papudinha novamente. Bolsonaro será ouvido no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (23), a respeito da arma registrada em seu nome encontrada com um militar durante blitz da Polícia Militar em Brasília (DF), e isso pode impactar a decisão da manutenção do benefício de cumprir a prisão em casa.
“Eu espero que sim, que ele pague como qualquer outra pessoa condenada. Porque tivemos a questão humanitária, ele já teve os cuidados e os tratamentos, muito mais do que a esmagadora maioria das pessoas no sistema prisional brasileiro. Então, não acho que ele deva ter a manutenção do benefício, até porque ele cometeu um dos atos mais graves que é o atentado às instituições democráticas”, afirma.
Para ouvir e assistir
O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
