LOGÍSTICA

Governo Lula anuncia pacote para aeroportos e hidrovias no RS

Medidas incluem aeroportos em Caxias do Sul, dragagem da Lagoa Mirim e concessão hidroviária integrada

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Ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, participou de assinatura da ordem de serviço para dragagem de manutenção da hidrovia da Lagoa Mirim, em General Câmara (RS)
Ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, participou de assinatura da ordem de serviço para dragagem de manutenção da hidrovia da Lagoa Mirim, em General Câmara (RS) | Crédito: Rafa Stédile

A ampliação da navegação interior no Rio Grande do Sul, apontada pelo governo federal como alternativa para reduzir a dependência do transporte rodoviário, ganhou novos anúncios nesta terça-feira (23). As medidas também incluem ações para a infraestrutura aeroportuária, em agendas realizadas em Caxias do Sul e General Câmara, com a presença do ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, e do deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), líder do governo Lula na Câmara dos Deputados.

As ações incluem a transferência da gestão do Aeroporto Regional Hugo Cantergiani para a Infraero e a preparação para o início das obras do Aeroporto de Vila Oliva, em Caxias do Sul; a assinatura da ordem de serviço para a dragagem de manutenção da hidrovia da Lagoa Mirim; e a abertura da consulta pública para a concessão do Sistema Aquaviário Integrado do Sul e Lagoa Mirim (Saip Sul-Mirim).

Em General Câmara, o ato ocorreu na Eclusa de Amarópolis, estrutura do Rio Jacuí que passa por modernização com investimento federal de R$ 168,1 milhões. No local, Franca participou da assinatura da ordem de serviço para elaboração dos projetos e execução da dragagem de manutenção da Lagoa Mirim. A agenda também marcou o anúncio da abertura da consulta pública para a concessão hidroviária integrada.

Segundo o ministro, os investimentos buscam ampliar a capacidade logística do estado e gerar impactos econômicos regionais. “Estamos realizando um conjunto importante de investimentos para ampliar a infraestrutura logística do estado. São ações que contribuem para o crescimento econômico, fortalecem a competitividade regional e ajudam a gerar oportunidades de emprego e renda para a população gaúcha”, afirmou.

A dragagem da Lagoa Mirim terá investimento de R$ 57,9 milhões, dos quais R$ 6,7 milhões serão destinados à supervisão das obras. Os recursos integram o Novo PAC e devem ser aplicados entre 2026 e 2028. A contratação inclui a elaboração dos projetos executivos, a execução da dragagem de manutenção e a implantação e manutenção da sinalização náutica do canal navegável.

A intervenção busca garantir condições de navegabilidade ao longo de todo o ano, ampliar a segurança das operações hidroviárias e aumentar a eficiência logística da região. A Lagoa Mirim integra um corredor conectado ao Canal São Gonçalo e à Lagoa dos Patos, permitindo o transporte internacional de cargas entre Brasil e Uruguai. Atualmente, segundo o governo federal, a principal limitação operacional do sistema é a profundidade insuficiente do canal navegável.

Pimenta relacionou os anúncios à reconstrução do Rio Grande do Sul após as enchentes de 2024. Ex-ministro extraordinário da Reconstrução do estado, o deputado lembrou que a região visitada em General Câmara ficou submersa durante a cheia.

“Toda essa área onde estamos hoje estava submersa. É até difícil imaginar o volume de água que passou por aqui. Por isso, este é um dia muito especial, porque estamos dando um passo importante não apenas para a reconstrução, mas para a concretização de um projeto sonhado há muito tempo”, disse Pimenta.

Concessão integrada

A concessão Saip Sul-Mirim é apresentada pelo governo federal como a primeira concessão hidroviária integrada do Brasil. O projeto prevê a transferência à iniciativa privada da gestão integrada dos acessos aquaviários aos portos de Rio Grande, Pelotas e Porto Alegre, além das hidrovias da Lagoa dos Patos, Lago Guaíba e Lagoa Mirim.

O prazo previsto é de 25 anos, prorrogável até 70 anos. A concessão abrange 510 quilômetros de vias navegáveis e prevê investimentos iniciais de R$ 134 milhões em estudos hidrográficos, monitoramento, sistemas de gestão do tráfego aquaviário, dragagem e modernização de estruturas hidroviárias.

A consulta pública ficará aberta entre 1º de julho e 15 de agosto de 2026. Nesse período, representantes do setor produtivo, operadores, entidades e demais interessados poderão apresentar contribuições aos documentos técnicos e jurídicos do projeto.

Franca defendeu a participação da iniciativa privada na ampliação da infraestrutura de transportes. “Atrair o capital privado para realizar investimentos em infraestrutura tem gerado ganhos importantes de eficiência logística, melhoria da qualidade dos serviços prestados e ampliação da capacidade instalada em diferentes setores. Vimos isso acontecer nas rodovias, nos aeroportos e vamos ver também no setor hidroviário”, afirmou.

Para Pimenta, a retomada da navegação interior recoloca as hidrovias como parte estratégica do desenvolvimento gaúcho. O deputado afirmou que o estado deixou de aproveitar, ao longo das últimas décadas, o potencial dos rios, lagoas e canais para o escoamento da produção.

“Os nossos heróis farroupilhas sonhavam que a hidrovia seria o grande canal de escoamento da nossa produção para o mundo. O governo do presidente Lula recolocou o sistema hidroviário como uma prioridade do Brasil”, afirmou.

Aeroportos no interior

Paulo Pimenta durante agenda federal sobre infraestrutura aeroportuária em Caxias do Sul
Paulo Pimenta durante agenda federal sobre infraestrutura aeroportuária em Caxias do Sul | Crédito: Rafa Stédile

Em Caxias do Sul, a agenda federal tratou da infraestrutura aeroportuária da Serra. O Aeroporto Regional Hugo Cantergiani, até então sob gestão municipal, passará a ser administrado pela Infraero. O terminal é o principal aeroporto do interior gaúcho e atende uma região com forte presença industrial, turística e de serviços.

Pimenta afirmou ainda que a União prepara a ordem de início das obras do Aeroporto de Vila Oliva, também em Caxias. O projeto é tratado pelo governo federal como estratégico para ampliar a capacidade aeroportuária da Serra e reorganizar parte da logística regional.

“Semana que vem estaremos novamente no estado para dar a ordem de início da construção do aeroporto de Vila Oliva, um grande aeroporto que será construído com recursos do governo federal e que vai mudar a logística do nosso estado”, disse.

O deputado também defendeu que os investimentos podem abrir novas rotas de exportação, melhorar a segurança da navegação e ampliar o uso das hidrovias no transporte de cargas. “Nós vamos devolver a navegabilidade, possibilitar novas rotas de exportação e fazer a primeira concessão de hidrovia do Brasil. Daqui a poucos anos teremos uma hidrovia totalmente revitalizada, com sinalização, segurança e navegação noturna”, declarou.

Ao avaliar os anúncios, Pimenta afirmou que as obras e projetos representam uma mudança na logística gaúcha depois da tragédia climática de 2024. “Hoje é o primeiro passo para essa mudança logística, para essa transformação que o Rio Grande do Sul tanto precisa. Depois de tudo o que vivemos com a enchente, esse grande investimento vai transformar esse sonho em realidade”, concluiu.

Editado por: Marcelo Ferreira

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