Intolerância

‘PM não é professor; o que vimos na escola lembra a ditadura’, afirma codeputada da Bancada Feminista

Sirlene Maciel denunciou PMs à Corregedoria e Ouvidoria caso de censura às tradições africanas

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No dia 12 de novembro, policiais militares, portando armas, entraram na escola após o pai de uma estudante ter acionado a corporação, porque a filha fez um desenho de um orixá | Crédito: Rovena Rosa/Agência Brasil
No dia 12 de novembro, policiais militares, portando armas, entraram na escola após o pai de uma estudante ter acionado a corporação, porque a filha fez um desenho de um orixá | Crédito: Rovena Rosa/Agência Brasil

O mandato da Bancada Feminista na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) foi até a Corregedoria e na Ouvidoria da Polícia Militar para pedir que os policiais militares que invadiram uma escola de educação infantil na zona oeste de São Paulo (SP) em novembro do ano passado sejam responsabilizados. Apesar de o episódio ter ocorrido há algum tempo, as imagens das câmeras das fardas dos agentes vieram a público nesta semana e causaram revolta. O motivo para a invasão teria sido a denúncia do pai de uma aluna, depois que a filha dele, de quatro anos, participou de uma atividade sobre ensino de tradições africanas.

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Sirlene Maciel, codeputada estadual pela Bancada Feminista, explica que, desde o ocorrido, o mandato tem acompanhado o andamento do caso e já havia acionado o Ministério Público. “Na ocasião, nós fomos à escola, prestamos a nossa solidariedade à diretora e a toda a comunidade escolar, porque se trata de servidores públicos no exercício da função que foram agredidos. Eles sofreram uma agressão, uma coação da Polícia Militar em desvio de função, já que essa não é a função da PM. Então, no nosso pedido, a gente quer que sejam investigados os crimes de racismo, intolerância religiosa e ofensa à comunidade escolar. A gente entende que essa prática não é condizente à democracia”, explica.

Maciel explica que crimes foram cometidos e os agentes precisam responder por isso. “O policial não é professor, ele não é supervisor de ensino, ele não tem essa prática. E nós sabemos que há uma lei que instituiu, né, o ensino de cultura afro-brasileira em todas as escolas, em todos os anos, desde o ensino básico”, reforça.

A codeputada conta que o pai da aluna foi até a polícia depois que a filha chegou em casa com um desenho de Iansã. “Estamos tornando público porque essa prática lembra uma prática da ditadura, de vigiar e punir a escola pública, e isso é inaceitável”, avalia. “A PM vai deseducar os estudantes. Foi uma violência muito grande.”

Sirlene Maciel reforça que existe um projeto pedagógico em toda escola. “O professor não ensina o conteúdo da cabeça dele. Existe uma programação, um planejamento. Isso passa por uma coordenação pedagógica, por uma discussão do coletivo dentro da escola, coletivo de professores, de pessoas que foram formadas para isso. E realmente esses policiais não sabem qual é a função deles. A função deles é atuar na segurança pública”, finaliza.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Luís Indriunas

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