O coronel da PM do Rio que liderou a Operação Contenção nos complexos do Alemão e da Penha em outubro de 2025, com 122 mortos, deixou o comando do Batalhão de Operações Especiais (Bope).
A exoneração de Marcelo Corbage do cargo de comandante consta no Diário Oficial do Estado da última quarta-feira (24). O Bope é uma unidade vinculada ao Comando de Operações Especiais (COE) da Polícia Militar.
Quem assume o posto é o tenente-coronel Carlos Eduardo da Silveira Monteiro, que comandava o 1º BPM (São Gonçalo). A Secretaria de Estado da Polícia Militar não informou o motivo para a saída de Corbage, afirmando apenas que os critérios se inserem no “âmbito administrativo” da corporação.
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A Operação Contenção, realizada em 28 de outubro, foi considerada a mais letal do Rio de Janeiro dos últimos anos. Foram mortas 122 pessoas, entre as quais 5 policiais. A cena mais marcante da chacina ocorreu no dia seguinte, quando dezenas de corpos foram recuperados da mata e enfileirados na Praça São Lucas, na Penha.
Poucos meses depois, em abril, Corbage recebeu uma promoção por bravura, sendo alçado ao posto mais alto da corporação como coronel.
Moradores reprovam operações
Depois da chacina, organizações de favela realizaram uma pesquisa de opinião com 4.080 moradores do Alemão, da Penha, da Maré e da Rocinha: 73% expressaram não concordar com operações policiais, enquanto 25% disseram concordar e 2% não responderam.
Quando perguntados se as ações devem continuar como são hoje, a resposta é ainda mais contundente: 92% reprovam o modelo atual. Neste grupo, 68% defendem que as operações precisam ser realizadas, mas de outra forma; enquanto 24% dizem que não deveriam acontecer. O sentimento de medo associado à atuação policial foi declarado por 78% dos entrevistados.
O levantamento foi realizado no mês de janeiro pela Redes da Maré, Frente Penha, Instituto Raízes em Movimento, Instituto Papo Reto, Fala Roça e A Rocinha Resiste.
