A Copa do Mundo deste ano tem sido bastante marcada por aspectos geopolíticos, não apenas pelas seleções presentes, mas pela relação que um dos países-sede, os Estados Unidos, mantém com diversas nações.
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Gilberto Maringoni, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC), avalia que é a primeira vez, desde as Olimpíadas de 1936 na Alemanha, que as questões geopolíticas entram em campo.
Maringoni destaca episódios como a não permissão de entrada do árbitro somali Omar Abdulkadir Artan e o tratamento à seleção do Irã, que foi impedida de ficar em território estadunidense quando não estivesse em campo. “Existe uma hierarquia entre países desavergonhada que faz com que o Irã tenha sido penalizado, e tem uma coisa bonita que é o Irã sair da Copa sem nenhuma derrota, é uma seleção invicta.”
“Há pessoas falando das Olimpíadas de 1936, mas nem nas Olimpíadas de 1936, nem o Hitler foi capaz de fazer o que Trump está fazendo com os países do Sul Global, com destaque para o Irã. E nem estou falando do pênalti, mas estou falando de o Irã ter que viajar para os Estados Unidos horas antes do jogo porque estava hospedado em Tijuana, no norte do México, e sair rapidamente. E ainda assim os jogadores serem humilhados na imigração. Esta é a Copa da desigualdade”, destaca.
Além disso, afirma Gilberto Maringoni, a Copa tem mostrado que a presença dos filhos da diáspora é fundamental para fortalecer os países europeus, principalmente, que se valem de talentos descendentes do Sul Global para um melhor desempenho no torneio.
“A presença de atletas alemães negros mostra o que é o futebol global hoje em dia. Esses países do Norte Global têm que se valer dos talentos do Sul Global. E isso é muito significativo do que é essa Copa. É o mundo da exclusão, do preconceito, e isso está expresso. Essa Copa é a cara do governo Trump, é a cara da ascensão da extrema direita global. Eu tenho a expectativa de que tudo isso que está acontecendo dê um clique nas pessoas”, defende.
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