Movimentos populares convocaram manifestações pelo fim da escala 6×1 nesta terça-feira (30) em 14 capitais e algumas cidades do interior. O objetivo é pressionar os senadores para aprovarem o Projeto de Emenda Constitucional que prevê a redução de jornada. Há mais de um mês, a Câmara dos Deputados aprovou a PEC, mas ela está travada no Senado.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), agendou para quarta-feira (1º) uma reunião com a líder do governo, senadora Teresa Leitão, e os autores da PEC.
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o presidente da CUT-SP, Raimundo Suzart, conta que, em São Paulo (SP), a mobilização acontecerá na avenida Paulista e que a expectativa é pressionar o Senado a enviar o projeto para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), passo fundamental para a aprovação do texto.
“A gente está organizando o Dia Nacional de Lutas com as centrais sindicais, movimentos sociais, e estamos com uma grande convocação. A gente teve uma votação expressiva na Câmara e, até hoje, o Senado não mandou para a CCJ o projeto de redução da jornada sem redução de salário. A gente já fez o levantamento de todos os senadores, quem está a favor e quem está contra. Quem tem dúvida, ainda não tomou a decisão, a gente tem conversado. Mas a gente sabe que realmente o que vai pressionar é a manifestação das ruas, porque precisamos lembrar que teremos renovação de dois terços da Casa este ano. É importante levantar os senadores que vão para a reeleição para pressionar também”, defende.
Suzart destaca que o grupo contrário ao fim da escala 6×1 faz parte da elite econômica e tem uma mentalidade escravocrata. “Se a gente for ver os milionários do país, a cabeça é de escravocrata. A gente pega as grandes fazendas, as grandes empresas, são onde vai ter denúncia de trabalho escravo. A gente não tem regime escravocrata no Brasil porque a gente conseguiu eleger o presidente Lula. A elite brasileira defende o projeto que foi apresentado de escala 7×0, como se o trabalhador pudesse negociar livremente com seu patrão, com seu empregador, a jornada de trabalho. Em que local isso seria possível?”, questiona.
Caso a pauta não avance no Senado, segundo o presidente da CUT-SP, a ideia é que a mobilização seja ampliada. “A ideia é construir uma greve geral, uma manifestação de todos os trabalhadores e trabalhadoras do Brasil se posicionando favoravelmente ao fim da escala 6×1, à redução da jornada sem redução de salário. Uma greve geral para que a gente possa pressionar os senadores a votarem esse projeto tão importante para a classe trabalhadora”, afirma.
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