A greve dos trabalhadores terceirizados da Refinaria de Paulínia (Replan), iniciada no dia 15 de junho, chegou ao fim nesta quarta-feira (1º). A categoria aprovou a proposta de acordo apresentada pelas empresas, encerrando a paralisação que foi marcada por episódios de violência, intimidação e um intenso impasse nas negociações.
As negociações resultaram em um reajuste salarial de 7% e um aumento de 7,14% na Participação nos Lucros e Resultados (PLR). Além disso, a categoria conquistou 10% de reajuste tanto no vale-alimentação quanto no café da manhã, além de 6,5% de aumento na cesta natalina. Os reajustes salariais e de benefícios de alimentação são retroativos a 1º de maio.
Sobre os 12 dias úteis de paralisação, ficou definido o abono de 50% dos dias, com a compensação dos 50% restantes.
O movimento, organizado pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Campinas e Região (Sinticom), atingiu 80% de adesão da categoria, que reivindicava melhores condições de trabalho e valorização profissional.
Apesar do desfecho, o período de greve foi marcado por denúncias graves. O Sindicato Unificado dos Petroleiros de São Paulo (Sindipetro) e o Sinticom denunciaram que trabalhadores e sindicalistas foram alvos de ataques por parte de seguranças privados e policiais à paisana, incluindo agressões físicas que deixaram operários hospitalizados.
A Petrobras, citada durante todo o conflito, manteve o posicionamento de que não possui responsabilidade direta sobre as relações trabalhistas das empresas terceirizadas que prestam serviço em suas unidades. O encerramento do conflito ocorre após a mobilização pressionar o setor patronal a ceder em pautas que, até então, eram consideradas intransigentes pelas empresas.
O desfecho da greve, embora com vitória dos trabalhadores, escancara as fraturas da terceirização e a omissão das grandes empresas contratantes. Segundo a desembargadora aposentada do Tribunal Regional do Trabalho (TRT4) e pesquisadora da Unicamp, Magda Biavaschi, os 15 dias de tensão vividos nas portarias da refinaria são o retrato de um modelo de trabalho que fragmenta as categorias de forma deliberada. “A terceirização é altamente precarizadora das relações de trabalho e das relações sociais”, explicou.
