tragédia

‘Sentimos réplicas dos terremotos todos os dias’, diz brigadista do MST na Venezuela

Denir Rosa relata que retomada da rotina é difícil porque muitas pessoas ainda esperam encontrar familiares vivos

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Terremotos deixaram milhares de mortos na Venezuela.
Terremotos deixaram milhares de mortos na Venezuela em 2026 | Crédito: Miguel Medina/AFP

As buscas por sobreviventes seguem acontecendo na Venezuela após nove dias dos dois terremotos que arrasaram o país. Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Denir Rosa, integrante da Brigada Internacionalista Apolônio de Carvalho do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), conta que talvez os brasileiros que nunca tiveram que lidar com essa realidade não compreendam, mas os abalos tem sido bastante comuns.

“Sentimos réplicas todos os dias. Algumas chegam a magnitude 4,2, e já tivemos uma de 5,1 durante a madrugada. Estamos todos em estado de alerta, porque as réplicas são constantes. A todo momento ocorrem tremores menores ou mais intensos. Até ontem, em alguns lugares, mesmo com a liberação para que os moradores retornassem às suas casas, muitas pessoas continuavam do lado de fora, pois ainda estão muito abaladas. É uma sensação difícil de explicar. Eu mesmo, às vezes, tenho a impressão de que a terra está tremendo, quando na verdade não está. É uma reação emocional: qualquer pequeno movimento ou vibração faz com que o corpo já entre em estado de alerta, preparado para fugir. É muito difícil descrever essa experiência. Provavelmente, é o que chamam de estresse pós-traumático, e ele é absolutamente real”, relata.

Segundo ele, o trabalho de resgate de possíveis sobreviventes continua, mas a situação vai ficando cada vez mais crítica. “Isso aumenta a carga emocional das famílias que têm pessoas desaparecidas, porque agora passa a expectativa de que ainda seja possível encontrá-las com vida”, afirma.

A presidenta interina Delcy Rodriguez declarou que, por enquanto, não será iniciada a fase de utilização de maquinário pesado, para que as equipes esgotem todas as possibilidades de encontrarem sobreviventes.

“Outra informação divulgada pela presidenta é que algumas pessoas haviam sido registradas como desaparecidas, mas o sistema do programa Pátria, utilizado, entre outras funções, para o abastecimento de combustível por meio de identificação biométrica, permitiu localizar três delas quando abasteciam seus veículos. Como o sistema utiliza a identificação por impressão digital, os dados estão integrados para ajudar a localizar pessoas que constam como desaparecidas, mas que, na realidade, estão em segurança. Enquanto isso, o governo e todas as forças de resgate continuam mobilizados na busca por pessoas com vida sob os escombros”, reforça.

Denir Rosa explica que em Caracas, as pessoas com maior poder aquisitivo já têm conseguido se restabelecer, mas em locais onde o impacto foi mais violento, esse processo será muito mais lento. “Nos lugares onde houve mortes, não interessa o poder aquisitivo, está todo mundo muito abalado. Estão tentando reestruturar tudo. As partes onde tem um poder aquisitivo menor, as pessoas ainda estão buscando sobreviventes nas casas que vieram abaixo. A cidade como um todo está tentando retomar a sua cotidianidade, mas está muito difícil, porque agora vem o momento da retirada dos escombros. É muito difícil para as pessoas que têm familiares ali embaixo, que vieram a falecer. Elas não querem que se comece a retirada dos escombros”, pondera.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Lucas Estanislau

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