O antropólogo Darcy Ribeiro será tema da União de Maricá na estreia no Grupo Especial do Carnaval no Rio de Janeiro. Em 2027, a escola de samba apresenta na Marquês de Sapucaí o enredo “Utopia Brasil: Darcy Ribeiro”. O desfile vai abordar diferentes momentos da vida do intelectual brasileiro, além da participação em projetos que marcaram a história do país.
Defensor da educação pública e das lutas sociais e indígenas, Darcy Ribeiro participou do projeto de criação da Universidade de Brasília (UnB), na idealização dos Centros Integrados de Educação Pública (Cieps), e na concepção do Sambódromo, no Rio, que leva o nome de Passarela Professor Darcy Ribeiro.
Mauro Amorim, diretor de Carnaval da União de Maricá, explicou que o fio condutor do enredo é a ideia de utopia que atravessa sua obra, não apenas como pensamento, mas como realização.
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“O Darcy que nomeia aquela Avenida [Sapucaí] de sonhos em que todos os anos desfilam utopias do Brasil a partir das escolas de samba, foi um cara que construiu equipamentos que ainda hoje são fundamentais para o país, que a gente ainda está lutando para construir. Se Maricá é a cidade das utopias, o enredo não poderia caminhar de outra forma”, afirmou.
A escola de samba também vai explorar a relação de Darcy com a cidade. Isso porque seu livro mais conhecido, O Povo Brasileiro, foi escrito em Maricá. O antropólogo escolheu o município para completar a obra clássica do pensamento brasileiro e se refugiar pouco antes da sua morte, em 1997.
Ao Brasil de Fato, o presidente de honra da escola e prefeito da cidade, Washington Quaquá (PT), defendeu o legado de Darcy Ribeiro para enfrentar a intolerância e resgatar a harmonia entre o povo brasileiro.
“Sobretudo no momento em que estão querendo tornar o brasileiro em pessoas intolerantes, que não se conversam, não se tratam, o Darcy é muito bem-vindo. Ele fala de um Brasil que não se submete, um Brasil que quer ser potência, quer ser a nova Roma, mas que não vai ganhar o mundo com violência nem com armas, que vai ganhar o mundo com cultura e capacidade de agregar as pessoas”.
“O samba é essa cultura que agrega as pessoas. Essa potência dos trópicos que leva alegria, tolerância, felicidade, igualdade para o mundo. O Carnaval, com o poder que ele tem, leva Darcy Ribeiro para o mundo através da União de Maricá”, completou Quaquá.
Para carnavalesco Edson Pereira, é uma responsabilidade e uma honra homenagear o mestre da utopia. “É especial, não só para o mundo do samba, mas para todos nós e para mim, que sou um estudante de escola pública, estudei no Brizolão. Temos uma grande missão, que é exaltar esse grande brasileiro que pensou em cada um de nós muito antes de a gente sonhar o que era educação”, finalizou.
