Conflito no Irã

Multidão em velório de Khamenei demonstra que governo iraniano tem apoio popular, diz analista internacional

Henrique Gomes também acredita que realização do cortejo sinaliza que fim do conflito com os EUA está próximo

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People gather along a street during the funeral procession of Iran's slain Supreme Leader Ali Khamenei and his family members in Tehran July 6, 2026. The funeral procession for Iran's late supreme leader Ali Khamenei began in Tehran on July 6, state television reported, as authorities prepared for crowds that could rival those that turned out for his predecessor nearly four decades ago. (Photo by ) /
Multidão foi acompanhar cortejo fúnebre e se despedir do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, assassinado em fevereiro | Crédito: ATTA KENARE / AFP

Milhões de iranianos acompanham o cortejo fúnebre do líder Supremo do Irã, Ali Khamenei, assassinado em 28 de fevereiro deste ano, mesmo dia em que Estados Unidos e Israel bombardearam o país, dando início a uma guerra. A estimativa oficial é de que cerca de 20 milhões de pessoas tenham ido se despedir do aiatolá.

Além de prestar homenagens a Khamenei, a multidão também aproveitou para protestar contra o governo Donald Trump e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. O secretário de Segurança Nacional do Irã, Mohammad Baqer Zolqadr, afirmou que a população clama por “resistência e vingança“. “Mantenham os olhos fixos no Irã nos próximos dias. Este é o mesmo Irã que vocês pensaram que poderiam derrubar em questão de dias”, em clara alusão às declarações de Trump após iniciar o conflito.

Segundo o analista internacional Henrique Gomes, doutorando na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a presença massiva da população no velório é uma clara demonstração de apoio às instituições iranianas. Além disso, Gomes afirma que, embora o acordo de paz entre Irã e EUA ainda não tenha sido oficializado, as negociações estão bem próximas do fim e, por essa razão, o velório foi realizado agora.

“A gente já está em um estado de cessar-fogo, tem visto menos notícias sobre o conflito. É justamente para encerrar esse ciclo que acredito que as autoridades do Irã marcaram os eventos fúnebres. E as imagens impressionam: no país inteiro, multidões estão indo às ruas para lembrar a passagem do aiatolá, que foi morto no início do conflito. E é claramente uma demonstração de força do regime iraniano, do regime teocrático vigente no país”, afirma.

As imagens, segundo o analista, refutam a narrativa ocidental vigente, especialmente defendida pelos Estados Unidos. “A narrativa foi desmontada, pois não existe essa questão uniforme de que é apenas um regime autoritário que não tem respaldo popular. Pelo contrário, tem muito respaldo popular. Existem, sim, grandes divergências que podem até ser suprimidas, já que a liberdade de expressão não é um forte do Irã. Mas existe grande apoio popular, ainda mais após um conflito que os Estados Unidos e Israel iniciaram gratuitamente. O Irã não atacou diretamente os Estados Unidos. O Irã tem seu problema com Israel, isso é verdade. Mas o ataque direto dos Estados Unidos e Israel no território iraniano, com todas as vítimas, todos os problemas econômicos e sociais decorrentes disso, fez com que a população demonstrasse apoio ao regime, porque é o regime que os está defendendo”, analisa Gomes.

Henrique Gomes não acredita que a multidão nas ruas possa tensionar as relações entre Irã e EUA e complicar o processo de paz. Contudo, o futuro mais distante segue incerto. “Acredito que esse conflito de 2026 possa se encerrar, mas a deixa para novos conflitos. A população iraniana vai alimentar um revanchismo. Isso é a semente para novos conflitos. E o sentimento antiamericano, que já era fortíssimo no Irã, agora é ainda maior, ainda mais anti-Israel também. Um desejo pessoal de eliminar os líderes desses países”, avalia.

Para ouvir e assistir

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Editado por: Gia Matheus Almeida

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