O Irã iniciou o segundo dia das cerimônias fúnebres do líder supremo aiatolá Ali Khamenei com uma multidão de pessoas reunidas.
Khamenei foi assassinado em fevereiro, no primeiro ataque aéreo da guerra lançada pelos Estados Unidos e por Israel contra o país persa.
Neste sábado (4), a população se reuniu na Grande Mosalla, principal complexo religioso e cultural do país, que fica na capital Teerã.
As cerimônias começaram oficialmente às 6h da manhã no horário local, mas multidões já se reuniam nos arredores da mesquita durante a madrugada.
Segundo dados das autoridades locais, 30 milhões de pessoas participaram dos eventos espalhados pelo país. Na capital, a organização já contabilizava 10 milhões de pessoas nas primeiras horas do dia.
As manifestações de luto e consternação incluíram hinos, poemas e cartazes gigantescos com a imagem do aiatolá, além de faixas exigindo justiça e atacando Estados Unidos e Israel.
Durante o evento, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou que a morte de Khamenei não é o fim do caminho, mas sim o início de uma nova etapa de união para o país.
Ao lado do caixão de Khamenei, no palco principal, também estavam os caixões de outros membros da família do líder que foram mortos no ataque aéreo, incluindo a neta dele, assassinada aos 14 meses.
O funeral tem duração prevista de seis dias e passagem por cinco cidades, roteiro concebido para enviar uma mensagem política e religiosa de resistência ao resto do mundo.
Parte desse sentimento de continuidade foi expresso na participação de jovens e estudantes, que se aglomeravam para tirar fotos ao lado da imagem do novo líder supremo, filho de Ali Khamenei.
Na segunda-feira (6) está prevista uma grandiosa procissão de cerca de 10 quilômetros pelas ruas de Teerã.
O cortejo seguirá para a cidade sagrada de Qom no dia seguinte. Na quarta-feira (8), percorrerá as cidades xiitas iraquianas de Karbala e Najaf, a pedido de políticos do país vizinho.
O sepultamento será em Mashad, segunda maior cidade do Irã e um dos centros de peregrinação mais importantes do mundo islâmico xiita.
Ali Khamenei foi assassinado em uma operação executada por caças israelenses. O líder dedicou a maior parte de sua vida a manter o Irã independente da influência dos Estados Unidos.
Ele tinha 88 anos e ocupava o posto desde 1989, quando substituiu o fundador da República Islâmica, Ruhollah Khomeini.
Após a morte dele, Teerã decretou luto oficial por 40 dias e alertou o mundo: “esse grande crime nunca ficará sem resposta”.
