Os Estados Unidos fracassaram nesta terça-feira (7) na tentativa de impedir que a Assembleia Geral da ONU debatesse a escalada das agressões que, segundo Cuba, Washington vem promovendo contra a ilha.
O debate no principal órgão deliberativo da ONU foi solicitado por Havana, que apresentou um pedido formal para incluir esse tema específico na pauta, com o objetivo de denunciar a política de bloqueio imposta pela Casa Branca.
No início da sessão, o representante dos Estados Unidos na ONU, Jeff Bartos, pediu expressamente que a inclusão do debate na pauta fosse rejeitada e questionou a pertinência de dedicar uma nova sessão da Assembleia Geral ao tema do bloqueio contra Cuba.
No entanto, a posição dos Estados Unidos foi derrotada por ampla maioria. A iniciativa apresentada por Cuba para incluir o debate sobre o bloqueio recebeu o apoio de 136 países, enquanto nove votaram contra — entre eles os tradicionais votos dos Estados Unidos e de Israel, além de Argentina, Costa Rica e Paraguai — e 30 Estados se abstiveram.
Durante seu discurso na Assembleia, o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla, afirmou que os Estados Unidos e, em particular, o Departamento de Estado, “difundem a mentira de que o bloqueio não é dirigido contra o povo cubano, mas apenas contra o governo”.
Além disso, sustentou que Washington obriga outros Estados a romper ou reduzir suas relações com Cuba “não por interesse próprio nem por desvantagens comerciais, mas por imposição de um regime estrangeiro”. Ao mesmo tempo, rejeitou qualquer tentativa de impor, a partir do exterior, o sistema político, o modelo econômico ou as relações internacionais do país.
Rodríguez classificou o bloqueio como “uma guerra multidimensional não convencional, que já dura quase sete décadas”, e afirmou que “ela se tornou mais cruel e impiedosa nos últimos sete meses”. Nesse contexto, destacou que o cerco energético enfrentado por Cuba agravou os impactos humanitários sobre a população, provocando a deterioração da qualidade de vida, a redução das fontes de subsistência e a limitação das possibilidades de desenvolvimento pessoal, familiar e social.
O chanceler também denunciou que Washington vem adotando “medidas inéditas e de caráter extraterritorial extremo”, como a ampliação das chamadas “sanções secundárias”, que ameaçam punir qualquer entidade estrangeira que mantenha relações comerciais com Cuba.
Havana afirma que o atual cerco energético constitui, na prática, um “bloqueio naval contra Cuba” e, por isso, deve ser considerado um “ato de guerra”. Ao mesmo tempo, denuncia que a obstrução da entrada de suprimentos humanitários viola as normas do direito internacional humanitário.
O bloqueio dos Estados Unidos contra Cuba é o mais longo da história moderna. Em vigor há mais de seis décadas, ele passou por sucessivos endurecimentos ao longo dos anos. Trata-se de um instrumento de guerra econômica e coerção política que busca deliberadamente limitar a capacidade econômica da ilha com o objetivo de “forçar uma mudança de governo”. Ao longo de mais de 60 anos, o bloqueio tem sido uma política de Estado em Washington, independentemente das mudanças de governo, embora com variações em sua intensidade.
