O governo de Cuba informou que solicitou a realização de uma sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas para denunciar os danos causados pelo bloqueio imposto pelos Estados Unidos à ilha.
Segundo explicou o ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez Parrilla, durante uma coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (30), a sessão ocorrerá no próximo dia 7 de julho, na sede da ONU, em Nova York, e será dedicada a denunciar a intensificação das ações agressivas do governo estadunidense contra Cuba.
Havana denunciará o cerco energético imposto por Washington desde janeiro deste ano, bem como a escalada das agressões da Casa Branca contra a ilha ao longo desse período. Medidas que têm provocado “danos, privações e sofrimentos crescentes” para a população cubana, nas palavras do embaixador.
Rodríguez afirmou que essas medidas podem ser classificadas como “um ato de genocídio, uma punição coletiva e uma violação massiva, flagrante e sistemática dos direitos humanos do povo cubano e do direito internacional humanitário“.
“São atos que causam danos e privações. Cuba não é, nem pode ser, uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos, que se constituem em uma grande potência militar e nuclear. Cuba não é uma ameaça. O bloqueio, sim”, afirmou. Segundo ele, a política de agressão e hostilidade dos Estados Unidos representa uma ameaça à existência e ao bem-estar do povo cubano.
Além disso, Cuba denunciará as ameaças de agressão militar direta. O chanceler afirma que a agressão multidimensional dos Estados Unidos “não representa um perigo futuro nem uma ameaça que ainda está por vir”, mas sim “um crime contra a humanidade em plena execução”.
Durante a coletiva de imprensa, o ministro também revelou a existência de documentos que, segundo afirmou, Washington faz circular de forma “opaca” entre suas embaixadas e que servem de base para pressionar diplomatas e autoridades de diferentes países. Trata-se de um mecanismo de pressão que os Estados Unidos já haviam utilizado no ano passado, às vésperas da Assembleia Geral da ONU.
Rodríguez mencionou três desses documentos. O primeiro, intitulado “É hora de mudar Cuba”, sustenta que o país insular representa uma ameaça direta à segurança nacional dos Estados Unidos devido a um suposto apoio ao terrorismo.
O chanceler explicou que esse documento tem como objetivo intimidar pessoas e entidades por meio da aplicação extraterritorial de medidas comerciais e econômicas coercitivas, com o intuito de influenciar a votação contra Cuba.
Além disso, mencionou um segundo documento, intitulado “O regime deve se reformar, não vote com sua propaganda”, que, segundo explicou, reúne uma série de acusações destinadas a influenciar a próxima votação da resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas sobre a necessidade de pôr fim ao bloqueio contra Cuba, prevista para outubro deste ano.
O ministro também fez referência a um terceiro documento que, segundo afirmou, tenta apresentar Cuba como parte beligerante na guerra da Ucrânia. Ele rejeitou essas acusações por considerá-las falsas e desprovidas de qualquer evidência, negou a existência de bases militares estrangeiras em território cubano e lembrou que a única instalação militar estrangeira na ilha é a base norte-americana localizada na baía de Guantánamo.
Desde 1992, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprova, anualmente e de forma ininterrupta, há 33 anos consecutivos, uma resolução apresentada por Cuba que exige o fim do bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos.
