O Armazém do Campo do Recife recebeu nesta segunda-feira (06) uma exibição gratuita do documentário “Anatomia do Caos”, da diretora baiana Dandara Ferreira. A sessão reuniu integrantes de diversos movimentos populares, a exemplo do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento de Trabalhadores Sem Teto (MTST) e o Movimento Brasil Popular (MBP).
“Anatomia do Caos” entrou em cartaz nos cinemas no dia 2 de julho. O documentário revisita o trabalho da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que, no Senado Federal, investigou a gestão da pandemia ao longo do governo Bolsonaro. A obra também discute temas como memória, impunidade e justiça, a partir de entrevistas com parlamentares e imagens inéditas dos trabalhos da comissão.
Grande parte do público que assistiu ao filme no Armazém do Campo organizou ações de solidariedade no auge da pandemia, a exemplo dos agentes populares que atuaram na Campanha Mãos Solidárias, do MST.
Para Dandara Ferreira, a proposta sempre foi levar o filme para além das salas de cinema e promover o diálogo com a população.
“Isso era o meu maior desejo sempre. Eu sou do cinema, quero levar as pessoas para as salas de cinema por ser um espaço coletivo. Mas esse filme é um filme de rua. Nem todo mundo tem acesso a cinema. Então, a gente precisa falar para outras vozes”, pontuou a diretora, destacando que a meta do lançamento é alcançar as pessoas mais afetadas pelo negacionismo durante a pandemia.
“Aqui estão os trabalhadores mais atingidos pela pandemia, pessoas que não tinham como ficar em casa, que, querendo ou não, tinham que trabalhar, e a gente precisa fazer esse filme circular para que nada daquilo que vivemos — o negacionismo, o deboche com quem estava sem ar — volte mais”, segue.
Recepção do público de ‘Anatomia do Caos’
Entre os participantes da sessão, o estudante Lucas Alves destacou a importância do documentário para preservar a memória do período. “Após ter essa experiência aqui na rua, com pessoas com quem a gente compartilha os mesmos ideais, acho que foi muito importante porque mostra que nós não estamos sozinhos”, refletiu.
A médica Carmelita Maia afirmou que o filme ajuda a compreender a dimensão das perdas vividas pelo país. “Foi uma oportunidade de rememorizar tantos acontecimentos da pandemia. Sei que foi um momento triste, que não queremos nem lembrar, mas é importante reviver essa memória”, pontuou.
A sessão foi seguida de debate com a deputada estadual Rosa Amorim (PT-PE) e a vereadora do Recife Jô Cavalcanti (PSOL-PE).
Para Amorim, o documentário cumpre um papel fundamental de memória e de busca por justiça. “É um filme que mostra a importância de resgatar a memória para que a gente não esqueça, principalmente, que a gente poderia ter salvado muitas vidas, se não fosse a negligência e a falta de ação política intencional do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.”
Já a vereadora ressaltou a importância de discutir esse passado em espaços públicos, ao lado da população. “Trazer esse sobre o tema que afetou milhares de pessoas, principalmente na pandemia, é muito importante, principalmente nesse contexto de desinformação pelo qual passamos.”
