A 10ª fase da Operação Compliance Zero da Polícia Federal (PF) aponta que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro ofereceu pagamentos de até R$ 2 milhões para que influenciadores digitais publicassem conteúdos contra o Banco Central (BC) e em defesa do Banco Master nas redes sociais.
Segundo a PF, o esquema foi batizado de “Projeto DV”, em referência às iniciais de Daniel Vorcaro. A investigação aponta que Thiago Miranda, sócio do Portal Léo Dias e da agência MiThi, atuava no recrutamento de influenciadores e jornalistas, fazia os pagamentos e coordenava ações de comunicação.
O cientista político Rudá Ricci defende que a investigação aponta para um “enraizamento do crime” nas mais diversas instâncias. “A gente está vendo como os bancos são facções criminosas. Você vê o caso do Master que tinha até um braço armado para ameaçar de morte quem criasse problemas para eles. Estamos diante de um Estado capturado pelo crime, ou que pelo menos está entrando no Estado e tentando capturar. É algo escandaloso”, aponta em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.
Ricci destaca que há dois pontos novos na atual conjuntura: a escala do envolvimento dos mais diversos agentes públicos com a esfera privada e o modo como o Congresso aparece a partir das emendas parlamentares. “Metade dos recursos de investimento está nas mãos do Congresso Nacional. Dessa forma, os governos não são mais o grande centro de atração para negociatas, como, por exemplo, o que a gente via na ditadura militar. O FHC cunhou a expressão dos ‘anéis burocráticos’ para falar da intersecção que tinha da ditadura militar e o alto empresariado brasileiro. Havia uma relação simbiótica. Agora estamos vendo que o parlamento virou um ponto atrativo de negociata. Essa é a novidade e isso é assustador”, pontua.
O cientista político acredita que o Banco Master é apenas uma das instituições financeiras que lançam mão do esquema de desinformação mediante financiamento de influenciadores apontado pela PF e que o envolvimento de outros bancos privados deve vir à tona.
Além disso, Rudá Ricci traça um paralelo entre a relação exposta pela investigação da Compliance Zero e o esquema das bets, bastante evidenciado por causa da Copa do Mundo. “Atrás desses bancos nós tínhamos também a relação de influenciadores, não só com bancos, mas com as bets. A gente começa a ver que algumas influenciadoras muito conhecidas induziam apostadores a erro nas suas apostas e, com isso, as bets ganhavam muito mais dinheiro do que já ganham. O fato é que essas bets e os bancos envolvidos em grandes esquemas pagavam não só influenciadores, mas também deputados, senadores e governadores. Essa história dos influenciadores é apenas a ponta do iceberg”, afirma.
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