guerra longe do fim

Trump utiliza estratégia de ‘vaivém’ contra o Irã e aumenta incerteza global, diz analista

Gustavo Menon avalia que governo dos EUA subestimou poder de resposta de Teerã e agora recorre a discursos arbitrários

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Registro de embarcações no Estreito de Ormuz feito por fotógrafo da agência iraniana Isna no dia 4 de maio
Registro de embarcações no Estreito de Ormuz feito por fotógrafo da agência iraniana Isna | Crédito: Amirhossein Khorgooei/Isna/AFP

Em meio a uma nova escalada de tensões com o Irã, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a dizer, nesta segunda-feira (13), que vai cobrar pedágio no Estreito de Ormuz. A fala contradiz o próprio estadunidense, que negou cobrança de qualquer taxa no canal quando colocou fim ao cessar-fogo com o país persa e retomou os ataques militares na semana passada.

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o cientista social Gustavo Menon, docente na Universidade Católica de Brasília (UCB) e no Programa de Pós-Graduação em Integração da América Latina da Universidade de São Paulo (Prolam-USP), afirma que a nova fala de Trump se soma a uma série de declarações “carregadas de profundas incertezas”, que tornam a análise do cenário bastante frágil.

“Num primeiro momento, houve um aceno para a celebração de um cessar-fogo. No entanto, a guerra retornou. Ele insiste em dar declarações oscilantes, nessa estratégia de vaivém, em que não sabemos ao certo qual será a projeção dessa política externa estadunidense, profundamente carregada de um tom unilateral, de ações arbitrárias e, consequentemente, ilegais”, avalia.

Além disso, reforça Menon, Trump está a poucos meses da eleição de meio de mandato, enfrentando queda de popularidade. “Ele subestimou essa capacidade de resposta do Irã. Nessa atual conjuntura, uma retomada dos ataques se somam às incertezas que têm sido uma marca desse império em declínio que é hoje os EUA. O eleitorado doméstico está muito insatisfeito com os caminhos dessa guerra”, analisa.

Na visão do analista, a vinculação do conflito com os interesses de Israel torna um acordo de longo prazo pouco provável. “Não há possibilidade de um acordo de paz que dure, que possa persistir no passar dos anos. Não vejo qualquer cenário a não ser que essa eleição de meio de mandato mude radicalmente a trajetória do atual governo nos EUA”, afirma Gustavo Menon.

O professor também analisa as críticas com relação à inação da Organização das Nações Unidas (ONU) nesse contexto de guerra, diante do impacto global que o conflito tem provocado. “Existe um peso sobre o setor energético e de produção de alimentos. Mas a crise do multilateralismo reverbera nessa paralisia de uma série de instituições e agências do sistema ONU. O próprio Conselho de Segurança se vê interditado no sentido de pensarmos numa política que leve à resolução do conflito”, avalia.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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