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Enquanto Irã mostra coesão interna, EUA enfrentam crise de legitimidade na guerra, diz analista

Para Gilberto Maringoni, funeral de Khamenei evidencia força política, contrastando com pressões sofridas por Trump

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A mourner holds a cartoon denouncing the US President Donald Trump and associating him with the late convicted US sex offender Jeffrey Epstein, during the funeral ceremony for Iran's slain intelligence minister Esmail Khatib and his family after the weekly Friday Muslim noon prayers in Tehran on March 20, 2026. Israel's military said on March 18 that it would not stop its "series of eliminations" of senior Iranian officials, after announcing it had killed Khatib. His killing came soon after Israel killed Iran's powerful security chief Ali Larijani. (Photo by AFP)
Cartaz vincula Donald Trump ao magnata Jeffrey Epstein | Crédito: AFP

A insistência do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em continuar com a guerra contra o Irã tem impactado o mercado de petróleo global. Com o fim do cessar fogo, o Estreito de Ormuz voltou a ser o elemento central de disputa entre EUA e o país persa.

Nesta terça-feira (14), Trump voltou atrás na declaração de que pretendia cobrar uma espécie de pedágio de 20% para embarcações na região e disse que, na verdade, pretendia realizar acordos comerciais com os países do Golfo Pérsico.

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Gilberto Maringoni, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC), avalia que “as idas e vindas” de Trump não indicam hesitação em sua personalidade, mas expressam a dificuldade de lidar com a guerra.

“A outra dificuldade é a unidade de ação com Israel”, afirma em alusão às discordâncias entre os países. “Nessa disputa EUA-Irã, a gente teve, na semana passada, o gigantesco funeral do aiatolá Ali Khamenei. Não há notícia de tanta gente na rua mostrando uma coesão nacional de um país que, há poucos meses, Trump disse que iria destruir”, ressalta.

Maringoni lembra que os EUA vivem uma crise política de legitimidade, enquanto o Irã vive o oposto. “Por mais que estejamos falando de uma manifestação triste, ela foi uma manifestação de vitória, de como o Irã firmou o memorando com os EUA, em que conseguiu tirar tudo o que queria”, destaca.

O acordo de paz, reforça o professor, seria sancionado pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), em desacordo com o governo Trump. “Aquilo representou uma derrota para os Estados Unidos, que têm que sair rapidamente de uma guerra que é impopular, que compromete a imagem do Donald Trump às vésperas das eleições parlamentares de novembro”, reforça.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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