Uma petição com mais de 22 mil assinaturas pressiona pela proibição da publicidade de empresas ligadas ao conteúdo adulto em uniformes esportivos e outros espaços públicos. Essa mobilização surgiu após um acordo entre o Corinthians e a plataforma Fatal Fans e reacende o debate sobre os limites da publicidade e a proteção de crianças e adolescentes.
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, a ativista Larissa Agostini, fundadora da Digna Brasil, conta que a Fatal Fans é de propriedade da Atlas Technology, dona também da Fatal Model, uma plataforma que conecta prostitutas a clientes. Agostini explica que a empresa compreendeu que seria mais fácil acessar a publicidade com o conteúdo erótico do que com o agenciamento de acompanhantes.
“Talvez a gente esteja diante de um novo fenômeno, igual aconteceu com as bets, que têm um impacto coletivo na sociedade e que a gente tem uma responsabilidade coletiva de agir também”, defende.
A ativista destaca que o Corinthians não é o primeiro nem o único clube de futebol patrocinado pela Atlas Technology. “Em 2024, foi a maior patrocinadora dos times da Série B do Brasileirão, com patrocínio em mais de 10 times. Ela inclusive tentou negociar os naming rights do Clube Vitória, que foram recusados, mas está em negociação os naming rights [patrocínio para mudar de nome] do Barradão [estádio do Vitória]. Então, assim, não é um movimento que surgiu agora”, relata.
Além disso, Larissa Agostini frisa que a questão não é sobre o Corinthians ou mesmo sobre a empresa Atlas Technology. “O que a gente está discutindo aqui são os limites dessa regulamentação de publicidades que a gente já viu com cigarros, álcool, público infantil”, analisa. “O esporte é um lugar que pertence também à infância, e a infância precisa da proteção não só dos conteúdos inadequados para a idade, mas da publicidade em si”, defende.
Agostini explica que a mobilização é na direção da criação de uma legislação que imponha regras a esse tipo de publicidade. Ela conta que só o estado do Rio de Janeiro tem lei que proíbe publicidade de conteúdos eróticos em locais públicos e de grande circulação.
“A agenda da formulação das políticas públicas é muito influenciada por um problema que surgiu na sociedade. A partir disso, a gente passa a ter as demandas. Toda e qualquer política pública nasce assim. Depois dessa repercussão, duas parlamentares aqui de São Paulo, a vereadora Marina Bragante e a deputada Marina Helou [ambas do PSB], protocolaram dois projetos de lei, um no município e um no estado, proibindo em São Paulo a publicidade, não só no esporte, como também em espaços públicos e sociais de grande circulação. A ideia é que essa mobilização possa criar possibilidade de uma iniciativa nacional”, explica.
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