IA não-hegemônica

Com Brasil e China, 29 países oficializam Organização Mundial de Cooperação em IA

Entidade fundada em Xangai foca na governança global e no desenvolvimento equitativo da tecnologia

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presidente chinês Xi Jinping com chefes de Estado e de governo estrangeiros, líderes de organizações internacionais e chefes de delegações que participam da Conferência Mundial de IA de 2026 e da Reunião de Alto Nível sobre Governança Global de IA em Xangai. em 17 de julho de 2026.
presidente chinês Xi Jinping com chefes de Estado e de governo estrangeiros, líderes de organizações internacionais e chefes de delegações que participam da Conferência Mundial de IA de 2026 e da Reunião de Alto Nível sobre Governança Global de IA em Xangai. em 17 de julho de 2026. | Crédito: Yin Bogu / Xinhua via AFP

A Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial foi oficializada nesta sexta-feira (17), em Xangai, com a assinatura do acordo de criação da entidade na abertura da Conferência Mundial de Inteligência Artificial e da Reunião de Alto Nível sobre Governança Global da IA.

Entre os países criadores da organização estão Brasil, Cuba, Venezuela e Nicarágua, além de Rússia, Indonésia, Paquistão e Cazaquistão, segundo nota conjunta divulgada pelo governo brasileiro (veja a lista completa no final da matéria). Pela China, o acordo foi assinado pelo ministro das Relações Exteriores, Wang Yi.

No discurso de abertura, o presidente chinês, Xi Jinping, classificou a criação da entidade como uma grande iniciativa “para responder ao chamado do Sul Global” e unir a comunidade internacional na promoção do desenvolvimento e da governança da IA. “Será um marco importante na história do desenvolvimento da IA. Nossa visão de um ano atrás agora é realidade”, afirmou.

“Uma corda só não faz música e uma árvore só não faz floresta”, disse Xi, citando um ditado chinês. “O desenvolvimento da IA não deve ser uma apresentação solo de um único país, mas uma sinfonia de cooperação internacional”, concluiu.

Da proposta à fundação

A proposta da organização havia sido apresentada pelo primeiro-ministro Li Qiang na edição de 2025 da conferência, quando o premiê apontou uma “tendência de fragmentação da governança da IA” e defendeu a construção de “regras amplamente reconhecidas”. A proposta se somou a iniciativas anteriores da China na área, como a Iniciativa Global para a Governança da IA, de 2023, e o Plano de Ação sobre Governança Global da IA, documento de 13 pontos lançado no ano passado que define a tecnologia como “bem público internacional em benefício da humanidade”.

Participaram da cerimônia desta sexta o presidente do Cazaquistão, Kassym-Jomart Tokayev, os primeiros-ministros do Camboja, Hun Manet, e da Tailândia, Anutin Charnvirakul, e o secretário-geral da ONU, António Guterres, que também discursaram na abertura. Durante a conferência, foi emitida a Declaração da Presidência do encontro.

Os líderes presentes afirmaram que as tecnologias de IA devem ser compartilhadas e governadas por todos os países, de modo a beneficiá-los em bases equitativas e a fechar tanto as brechas digital e de IA quanto o fosso entre Norte e Sul, segundo o comunicado divulgado pelo governo chinês. Para eles, a nova entidade deve fomentar uma cooperação “aberta, inclusiva, em pé de igualdade e mutuamente benéfica”.

Os 29 países fundadores da nova organização são: África do Sul, Argélia, Belarus, Brasil, Camboja, Camarões, Cazaquistão, China, Congo, Cuba, Etiópia, Indonésia, Laos, Lesoto, Malásia, Moçambique, Myanmar, Nicarágua, Omã, Paquistão, Quênia, Quirguistão, Rússia, Senegal, Sérvia, Tajiquistão, Uzbequistão, Venezuela e Zâmbia.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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