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EUA atacam alvos civis e Irã retalia contra bases estadunidenses no Oriente Médio

A Guarda Revolucionária iraniana informou que o governo Trump cometeu "um grande crime de guerra, atacando alvos civis"

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Explosão provocada por ataques dos Estados Unidos no sul do Irã
Explosão provocada por ataques dos Estados Unidos no sul do Irã | Crédito: U.S. CENTRAL COMMAND

Bombardeios dos Estados Unidos no sul do Irã, na noite desta quinta-feira (16), atingiram a infraestrutura civil do país. Em resposta, Teerã lançou ataques contra bases, aeronaves e instalações militares estadunidenses na Jordânia, Kuwait, Catar, Síria, Omã e Bahrein. 

A Guarda Revolucionária do Irã afirmou que as forças estadunidenses utilizaram bases na Jordânia para atacar pontes, áreas residenciais e uma estação de bombeamento de água em Bandar Abbas, no sul do país. Segundo o comunicado, “na noite passada, o exército dos EUA voltou a agir, utilizando suas bases na Jordânia para realizar um grande crime de guerra, atacando alvos civis”.

Autoridades do sul do Irã também informaram que aeroportos, instalações de energia, uma estação ferroviária e outras estruturas foram atingidas durante a sexta noite consecutiva de bombardeios dos Estados Unidos. Agências estatais iranianas divulgaram imagens de pontes destruídas em Bandar Khamir, cidade próxima de Bandar Abbas. Segundo a agência Irna, sete pessoas morreram no local.

O embaixador do Irã na Organização das Nações Unidas (ONU), Amir Saeid Iravani, condenou os ataques em carta enviada ao secretário geral da ONU e ao presidente do Conselho de Segurança. No documento, afirmou que “os Estados Unidos continuam seus atos de agressão contra a soberania e a integridade territorial do Irã e cometem crimes de guerra contra o povo iraniano em flagrante violação da Carta das Nações Unidas, do direito internacional e, em particular, do direito internacional humanitário”.

Iravani também declarou que “esses ataques atingiram e causaram danos extensos a portos, redes de transporte, instalações de comunicação, centros logísticos, instalações de radar, sistemas de defesa costeira e outras infraestruturas indispensáveis à população civil e ao funcionamento da economia nacional”.

Na carta, acrescentou que “lamentavelmente, o governo dos Estados Unidos e seu presidente demonstraram, por meio de suas palavras e ações, um desrespeito flagrante à Carta das Nações Unidas e ao direito internacional”.

Em resposta aos bombardeios, a Guarda Revolucionária informou que atingiu aeronaves de combate e de reabastecimento dos Estados Unidos estacionadas na base de Al Azraq, na Jordânia, com “vários mísseis balísticos e drones”. Segundo o Irã, alguns aviões estadunidenses foram destruídos e outras sofreram danos.

No Catar, o Irã afirmou ter realizado um “ataque pesado” contra a base aérea de Al Udeid. Segundo a Guarda Revolucionária, um sistema de radar de longo alcance e aeronaves de reabastecimento foram destruídos e outras sofreram danos. O governo do Catar informou que uma criança ficou ferida por destroços de mísseis após a interceptação de ataques iranianos.

No Kuwait, a Guarda Revolucionária informou ter atingido sistemas de defesa aérea, depósitos de armas, dois lançadores HIMARS e mísseis, além de provocar um incêndio em uma base americana. O governo do Kuwait acusou o Irã de bombardear uma usina de energia e dessalinização de água, o que afetou a rede elétrica do país.

A Guarda Revolucionária também afirmou ter atacado um centro de comando de operações especiais dos Estados Unidos na região de Al Tanf, na Síria, em resposta a um ataque estadunidense que matou soldados iranianos em Iranshahr. Uma fonte do governo sírio negou o ataque.

Radares de vigilância naval e aérea americanos também foram atingidos em Omã. O Exército iraniano informou ainda ter realizado ataques contra ativos militares dos Estados Unidos no Bahrein.

Os Estados Unidos confirmaram que concluíram uma nova rodada de bombardeios contra o Irã na noite de quinta-feira (16). Segundo o Comando Central, aviões de combate, drones e navios de guerra atingiram dezenas de alvos militares, incluindo sistemas de vigilância costeira, posições de defesa aérea, infraestrutura logística militar e capacidades marítimas iranianas. 

Segundo o Comando Central, as ações ocorreram por determinação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para reduzir as capacidades militares iranianas e responsabilizar o país por ataques contra embarcações comerciais. O órgão informou ainda que mais de 50 mil militares estadunidenses permanecem mobilizados no Oriente Médio.

O conflito entre Estados Unidos e Irã teve início no fim de fevereiro. Quarenta dias depois, foi firmado um cessar fogo. Em 17 de junho, Teerã e Washington assinaram um memorando negociado pelo Paquistão para encerrar as hostilidades e iniciar novas negociações em até 60 dias. O governo iraniano, porém, afirma que os Estados Unidos descumpriram o acordo, o que levou à retomada dos confrontos.

Editado por: Igor Carvalho

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