O futuro primeiro-ministro britânico Andy Burnham foi confirmado nesta sexta-feira (17) como o novo líder do Partido Trabalhista. A confirmação cria condições para que já na próxima segunda-feira (20) ele assuma o lugar do premiê Keir Starmer, que renunciou ao cargo no fim de junho. Quando o primeiro-ministro deixa o cargo, o partido que está no governo pode escolher um novo líder sem necessidade de convocar eleições.
Em seu primeiro discurso, Burnham negou qualquer cisão dentro do partido, afirmou que o grupo está unido e defendeu o maior controle de preços para conter a inflação.
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Sara Vivacqua, advogada e jornalista no Reino Unido, afirma que o quadro de Burnham não deve ser encarado como uma guinada à esquerda. “Ele não é um líder mais progressista. Ele é o óleo da engrenagem de um partido estruturalmente comprometido com o sionismo, com o neoliberalismo, com a militarização. O Andy Burnham, tal como o Starmer, é um defensor da Ucrânia. Ele é um defensor da Otan, ele é um defensor do genocídio contra os palestinos e um defensor de aumentar o orçamento militar do Reino Unido”, destaca.
Vivacqua afirma que a diferença entre Burnham e seu antecessor é que ele é mais carismático e populista. “É um perfil que gosta de falar que está atento às massas, atento às reivindicações da classe trabalhadora, então ele dialoga melhor com essa parte do Partido Trabalhista“, argumenta. “Ele é um camaleão do oportunismo como poucos.”
A advogada conta que o futuro premiê “sabotou políticas ambientais importantes” e condena “explicitamente o movimento BDS, boicote, desinvestimentos, sanções contra Israel, um movimento fundamental para acabar com a colonização da Palestina”.
Sara Vivacqua avalia que Burnham só foi escolhido por fazer parte dessa nova fase do Partido Trabalhista, por lá chamado de Labour. “A gente chama de ‘novo Labour’, que é um ‘Labour militarizado’, ‘otanista’, o ‘Labor’ do Tony Blair e do Gordon Brown, das guerras. É um partido totalmente cooptado pelas elites. Ele só ascende porque ele é uma peça boa para essa engrenagem. É um grande articulista e tem trabalhado a vida inteira para chegar a essa posição”, afirma.
“A gente pode esperar talvez alguns pequenos alívios em termos de política econômica de austeridade, porque essa é a promessa dele. Mas, do ponto de vista estrutural e da política externa, ele seguirá alinhado com o projeto imperialista estadunidense e com Israel”, resume.
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