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‘Não tem autoridade moral’, diz historiador sobre denúncias de Trump contra interferência externa

Para o historiador Valério Arcary, o republicano constrói uma 'narrativa imaginária' para inflar o pânico moral nos EUA

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o presidente da China, Xi Jinping, no Grande Salão do Povo, em Pequim. A visita termina sem acordo e frustra mercados.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o presidente da China, Xi Jinping, no Grande Salão do Povo, em Pequim. A visita termina sem acordo e frustra mercados. | Crédito: Evan Vucci/Pool/AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, volta a falar em fraudes nas eleições de 2020, quando o democrata Joe Biden saiu vitorioso. Dessa vez, a China é a acusada de ser o agente de interferência no pleito. O republicano abriu uma investigação dividida em grupos de documentos da Casa Branca, que, supostamente, provariam a fraude.

O historiador Valério Arcary, professor do Instituto Federal de São Paulo, avalia que Trump construiu uma “narrativa imaginária” de que teria vencido as três últimas eleições e, para manter essa retórica, precisa argumentar que houve fraude, como forma de não admitir a derrota.

Arcary destaca que é Trump, na verdade, que tem o hábito de interferir em eleições alheias, como fez na Colômbia recentemente. “Não é um segredo que a CIA tem tentáculos que tentam de todas as formas possíveis manipular as lutas políticas para favorecer o triunfo de governos que têm um alinhamento incondicional com os EUA”, destaca em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

O historiador chama o tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros de “ofensiva” estadunidense a 100 dias das eleições, reforçando que o presidente dos EUA apoia abertamente o bolsonarismo. “O que Trump está dizendo é o seguinte: ‘Olhem, prestem atenção, brasileiros. Se antes das eleições eu faço um tarifaço, caso vocês não escolham o meu candidato, imaginem o que vai acontecer'”, analisa.

Valério Arcary analisa que as declarações de Trump utilizam a suposta ameaça chinesa para “criar um pânico moral interno nos EUA” por causa das eleições de meio de mandato em novembro. “Tentam ressuscitar o discurso da Guerra Fria, de ameaça socialista. Não dá para levar a sério”, critica.

“Trump não tem autoridade para falar de intervenção em processo eleitoral depois do que aconteceu na Argentina, no ano passado, quando, uma semana antes das eleições, ele falou que, caso Milei não vencesse, não haveria renovação de empréstimos ao país”, recorda.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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