CONTRA O BRASIL

Ministro afirma que Flávio Bolsonaro prejudicou negociações entre Brasil e EUA sobre tarifaço

Márcio Elias Rosa, titular da Indústria, garantiu que o Brasil seguirá na mesa de negociações com a Casa Branca

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Flavio Bolsonaro e Donald Trump na Casa Branca
Flávio Bolsonaro e Donald Trump na Casa Branca | Crédito: Divulgação

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que o senador e pré-candidato a presidência da República, Flávio Bolsonaro(PL), prejudicou as negociações entre o Brasil e os Estados Unidos sobre as tarifas aplicadas aos produtos brasileiros. De acordo com o ministro, Flávio argumentou para a Casa Branca teses que legitimavam e referendavam as justificativas iniciais usadas pelo governo para tarifar o Brasil.

“Ele foi lá falar: ‘Olha, tem muita corrupção, não tem combate ao crime transnacional’. Esse era um dos argumentos da 301 e foi usado para justificar a tarifa. Temos um brasileiro com mandato legislativo abonando e reconhecendo a legitimidade da decisão dos EUA. Isso é péssimo para o Brasil”, contextualizou o ministro, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo.

Márcio Elias afirmou que o Brasil é vítima e que as tarifas anunciadas pelo governo Trump têm um caráter de sanção política, e não de regulação comercial. O ministro reafirmou que o governo brasileiro permanecerá firme nas negociações em defesa dos interesses nacionais e que terá como meta ampliar a lista de produtos isentos.

“O Brasil é vítima nesse processo, mas não é covarde. Nós não vamos ficar amedrontados frente a uma potência, que realmente é importante, significativa, e está nos causando dano. Não vamos ceder nem capitular.”, disse o ministro ao jornal.

Os Estados Unidos confirmaram, na noite de quarta-feira (15), a aplicação de um tarifaço de 25% sobre as importações de produtos brasileiros. A medida foi tomada pelo governo local após uma investigação do Escritório do Representante Comercial dos EUA, que acusa o Brasil de “práticas desleais” para justificar a punição aos produtores nacionais.

Ao revelar alguns aspectos da reunião, Elias Rosa descreveu que desde o início o governo estadunidense fez ofertas impraticáveis para o Brasil, como reduzir a zero as tarifas de importação para bens industriais dos Estados Unidos, sem oferecer contrapartidas. A leitura do ministro é de que isso ampliaria o déficit comercial brasileiro no setor industrial.

“O Brasil exporta para os EUA máquinas, equipamentos, muito de indústria de manufatura, indústria de transformação. Em 15 anos, nós tivemos US$ 450 bilhões de déficit. Se abrirmos o mercado desse modo, nós vamos expandir ainda mais o déficit. A título de quê faríamos isso?[…] Se abre o mercado, destrói essa indústria de base. O Brasil não pode fazer isso. Essa questão precisou ficar clara desde cedo, assim como a gente jamais iria negociar o Pix”, argumentou Elias.

A decisão dos EUA, na avaliação do ministro, representa um risco geopolítico. O ministro afirmou que os EUA sempre utilizaram a seção 301 como instrumento de pressão diplomática, mas que, desta vez, não há um elemento razoável e que Trump está usando das manobras tarifárias para interferir no resultado eleitoral de outro país.

“O que chama atenção no caso da atualidade? Ele não se vale de um propósito razoável. Não se pode usar tarifa para fazer distorção política, não se pode usar a política tarifária para obter resultado político eleitoral numa outra nação soberana. Não faz sentido isso. […] Eu me recuso a acreditar que seja o novo normal porque não é assim que a Ásia e a União Europeia continuam atuando na geopolítica”, apontou o ministro.

Editado por: Rodrigo Chagas

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