oriente médio

Impasse entre EUA e Irã trava cessar-fogo e aprofunda erosão da confiança diplomática

Flávia Gianini explica que EUA utilizam pressão no campo de batalha, enquanto Teerã recusa negociar sob agressão militar

No audio source provided.
In this picture obtained from Iran's ISNA news agency on May 4, 2026, the Iran-flagged tugboat Basim sails near a ship anchored in the Strait of Hormuz off Bandar Abbas in southern Iran. Iran's Revolutionary Guards on May 4 denied that any commercial ships had crossed the Strait of Hormuz, after the US military earlier said two US-flagged merchant vessels had transited through the vital waterway.
Embarcação de bandeira iraniana navega no Estreito de Ormuz | Crédito: Amirhossein Khorgooei/Isna/AFP

Os Estados Unidos completaram nove dias de ataques consecutivos contra o Irã, que retaliou bombardeando navios que tentaram passar pelo Estreito de Ormuz. A Marinha da Guarda Revolucionária Iraniana informou que o “estreito é extremamente inseguro e está completamente fechado” devido às agressões dos EUA.

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Flávia Gianini, jornalista especializada em política e economia internacional, explica que o impasse para um eventual acordo se mantém. Os Estados Unidos seguem pressionando para que qualquer cessar-fogo esteja condicionado ao Irã admitir a redução do programa nuclear.

Já o Irã insiste que não vai negociar sob pressão militar e exige o reconhecimento do direito ao enriquecimento de urânio. “Há um problema de confiança estabelecido. As negociações foram interrompidas em diferentes momentos por operações militares, o que reforçou a percepção de que Washington utiliza o diálogo, chama para a negociação, chama para a mesa, mas mantém a pressão no campo de batalha. Essa erosão da confiança dificulta qualquer acordo duradouro”, avalia.

Gianini reforça que a suspensão do cessar-fogo é uma estratégia do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para não precisar admitir a derrota sobre o país persa. “O cessar-fogo era para ter durado 60 dias. Eles suspenderam um cessar-fogo que, na verdade, nunca tinha funcionado. É tudo uma questão de estratégia política mesmo, mais do que estratégia militar”, afirma.

Os novos ataques dos EUA na região do Golfo Pérsico estão afetando as usinas de dessalinização. Os países da região dependem 80% da água dessas usinas. “A gente está falando de lugares de clima desértico. Então, qualquer ataque ou interrupção prolongada pode provocar escassez de água, atingir hospitais, energia, indústria, escolas. Além disso, as ameaças às usinas elevam a internacionalização do conflito. Países do Golfo já tentaram uma certa neutralidade dentro dessa guerra. Quando viram que a segurança deles estava muito mais ameaçada do que a dos outros, aumentaram a pressão internacional por uma redução das hostilidades. Mas claramente isso não tem funcionado”, destaca Flávia Gianini.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

|

Newsletter