Escalada

Irã adverte EUA sobre ataque à usina nuclear e pede que ONU condene ação

O Comando Central dos Estados Unidos informou que a ofensiva também atingiu centros de comando militar

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O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã para Assuntos Jurídicos e Internacionais, Kazem Gharibabadi, afirmou nesta segunda-feira (20) que o ataque dos Estados Unidos à usina nuclear de Darkhovin, em construção na província do Khuzistão, representa uma agressão contra a infraestrutura nuclear do país e responsabilizou o governo de Donald Trump pelas consequências da ação.

Em uma publicação na rede X, Gharibabadi declarou que “o ataque dos Estados Unidos às instalações em construção da usina de Darkhovin é uma agressão perigosa às infraestruturas pacíficas do Irã e torna o governo estadunidense integralmente responsável pelas consequências decorrentes do agravamento da insegurança e da instabilidade”. 

“O Irã, ao mesmo tempo em que condena veementemente essa agressão, adotará as medidas cabíveis para defender seus interesses e a segurança nacional”, concluiu o vice-ministro. 

Além da condenação ao ataque, o governo iraniano pediu que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), da Organização das Nações Unidas (ONU), se manifeste oficialmente sobre o caso.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, afirmou que o Irã espera que o Conselho de Governadores da agência e seu diretor-geral condenem “o crime dos EUA” contra a usina nuclear de Darkhovin. “O Irã espera que o Conselho de Governadores da AIEA e o Diretor-Geral da AIEA (…) declarem claramente sua posição sobre o assunto, condenando o crime dos EUA”, disse Baghaei em entrevista coletiva nesta segunda-feira.

O Comando Central dos Estados Unidos informou que a ofensiva atingiu centros de comando militar, sistemas de defesa aérea, locais de vigilância costeira, capacidades marítimas, áreas de lançamento de mísseis e drones e redes de comunicação, com o objetivo de reduzir a capacidade iraniana de atacar embarcações comerciais e civis que passam pelo Estreito de Ormuz. O comando não informou os locais atingidos.

A Guarda Revolucionária do Irã afirmou que dois navios-tanque explodiram e interromperam a travessia no sul do Estreito de Ormuz. Segundo o grupo, as embarcações tentavam cruzar a região sob pressão dos Estados Unidos. A corporação declarou que “esta passagem não é segura para o transporte de fertilizantes químicos ou mesmo de uma única gota de petróleo e gás” e acrescentou que o corredor continuará inseguro enquanto as operações militares estadunidenses na região permanecerem.

Segundo a agência Mehr, um drone MQ-9 foi abatido sobre a província de Kermanshah por um sistema de defesa aérea da força aeroespacial da Guarda Revolucionária. A agência Tasnim informou ainda que ataques americanos atingiram uma área da cidade de Khormoj, no sudoeste do Irã.

A Guarda Revolucionária afirmou também que lançou mísseis balísticos contra aviões militares estadunidenses no aeroporto de Aqaba, na Jordânia, e disse que vários deles foram atingidos. O grupo informou ainda que 20 hangares que abrigavam forças americanas na base aérea de Muwaffaq Salti, em Azraq, foram destruídos.

A embaixada dos Estados Unidos no Bahrein informou que recebeu informações sobre uma possível ameaça contra locais na região central de Manama e orientou cidadãos estadunidenses a permanecerem atentos, seguirem as orientações das autoridades locais e procurarem abrigo caso sirenes ou explosões sejam registradas.

A agência de operações marítimas do Reino Unido informou que uma embarcação pegou fogo a cerca de 15 quilômetros a noroeste de Kumzar, em Omã. A causa do incêndio não foi confirmada e as autoridades orientaram embarcações a navegarem com cautela enquanto o caso é investigado.

O presidente Donald Trump afirmou que os ataques foram realizados em homenagem aos militares estadunidenses mortos. “Nós os atingimos com muita força novamente esta noite e fizemos isso em homenagem aos grandes patriotas”, disse. Ao comentar as mortes, Trump afirmou que militares morreram para que “o Irã não possa ter uma arma nuclear”.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que Teerã encerrará a guerra quando tiver “a vantagem no campo”. Segundo ele, “o fim da guerra é possível por meio de uma vitória militar absoluta ou por meio de negociações. O momento certo para negociar é precisamente quando se alcançou uma conquista confiável no campo e no plano estratégico da frente militar”.

Araghchi também declarou que “não se pode correr riscos com a vida das pessoas e com o destino de todo o país. As decisões devem ser tomadas com base em cálculos precisos e completos”.

Editado por: Geisa Marques

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