Colonos israelenses armados e soldados das Forças Armadas de Israel mataram quatro palestinos na aldeia de Tal, a sudoeste de Nablus, na Cisjordânia, nesta sexta-feira (24). Na ação, dois israelenses também morreram.
Logo após o ataque, Israel determinou o fechamento dos acessos a Nablus, invadindo o principal hospital da cidade. Em meio à escalada, autoridades israelenses prenderam feridos internados e anunciaram uma operação militar de grande escala no norte do território.
O Ministério das Relações Exteriores da Palestina definiu o ataque como “massacre” e assinalou que a ação representa “uma imagem renovada da Nakba [em referência ao êxodo de centenas de milhares de palestinos na guerra Árabe-Israelense do final dos anos 1940] em curso”. A pasta cobrou intervenção internacional para conter a violência dos colonos.
O Ministério da Saúde Palestino confirmou que outros quatro moradores ficaram feridos, sendo três em estado crítico. A aldeia de Tal fica a poucos quilômetros de Havat Gilad, um assentamento israelense considerado ilegal.
Já o Exército de Israel afirmou ter recebido relatos de que civis israelenses que faziam uma trilha nas proximidades da aldeia teriam sido atacados. Na sequência, um palestino teria tomado a arma de um agente de segurança de Havat Gilad e disparado contra o grupo.
As forças de segurança, ainda segundo o Exército israelense, teriam matado o autor dos tiros, recuperado a arma e começado as buscas por possíveis cúmplices.
Somente nesta sexta-feira (24), colonos atacaram cinco aldeias no entorno de Nablus, de acordo com informações da agência palestina Wafa, incendiando ao menos seis casas.
Israel aproveitou para anunciar os preparativos do que chamou de “atividade operacional antiterrorista extensiva” no setor, cancelando licenças de soldados, instalando bloqueios nas estradas e decretando toque de recolher. Nas últimas semanas, a cúpula militar israelense vem retirando tropas do Líbano e de Gaza para reforçar a Cisjordânia.
Em nota divulgada após as ações de hoje, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu disse que as forças de segurança “devem ter permissão para agir livremente e com força total contra o terrorismo”, confirmando que o governo vai acelerar o estabelecimento de postos avançados agrícolas.
Até agora, 86 palestinos foram assassinados por agentes israelenses na Cisjordânia em 2026, segundo o Ministério da Saúde Palestino, que aponta que 21 mortes ocorreram por ações de colonos.
