Pelo segundo ano consecutivo, a potência criativa do Morro da Cruz, em Porto Alegre, rompe as fronteiras da periferia para ocupar as telas de um dos mais prestigiados eventos do cinema nacional. O documentário “Morro da Cruz – Memória Popular” foi selecionado para a Mostra de Longas-Metragens Gaúchos do 54º Festival de Cinema de Gramado, reafirmando o papel do território como polo de produção audiovisual independente e resistência cultural.
Filmado integralmente na comunidade durante os dias que antecederam a 1ª Semana do Morro da Cruz, o longa-metragem não é apenas uma obra cinematográfica, mas também um registro vivo da memória coletiva. A narrativa é construída a partir de histórias, lembranças e vivências compartilhadas por quem ajudou a erguer a identidade do morro. Agora, a luta é para que os verdadeiros protagonistas — os moradores — possam se enxergar na tela grande e participar da premiação, em 22 de agosto.
‘Mobilização para ocupar a Serra’
Para garantir a presença da comunidade nesse momento, o Instituto Sócio Cultural do Morro da Cruz lançou uma campanha de arrecadação coletiva. O objetivo é viabilizar o transporte e a infraestrutura para cerca de 45 moradores, permitindo que os entrevistados acompanhem a exibição em Gramado. Além da viagem, os recursos arrecadados também serão destinados a tornar o documentário acessível a diferentes públicos.
“Nosso desejo é levar os entrevistados, os verdadeiros protagonistas desta história, para assistir à exibição em Gramado. Será um momento muito significativo para quem abriu sua memória, compartilhou suas vivências e deu vida ao documentário”, afirma o diretor Crystom Afronario.
Estudante de cinema, Afronario já participou do festival em 2025, quando conquistou o Prêmio Especial do Júri com o curta “Aconteceu à Luz da Lua”.
‘Cinema independente e de território’
A produção de “Morro da Cruz – Memória Popular” destaca-se pelo caráter 100% independente. Sem financiamento prévio, o filme foi erguido na base do afeto e do trabalho coletivo.
“Foi construído com trabalho, dedicação, afeto e a confiança de quem acreditou que a história do Morro da Cruz merece ser contada por quem vive aqui”, destaca o diretor.
Para os realizadores, a seleção para o Festival de Cinema de Gramado representa um reconhecimento que transcende a estética cinematográfica, ao valorizar o cinema produzido nas periferias e as trajetórias das pessoas que constroem o território diariamente.
‘Como ajudar’
As doações para a campanha de transporte e acessibilidade podem ser feitas em qualquer valor.
- Pix: [email protected]
- Destinação: transporte de 45 moradores e implementação de recursos de acessibilidade no filme
